SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Em relação à assistência ao trabalho de parto em gestante de risco habitual, analise as assertivas abaixo: I. A avaliação do feto no primeiro período do parto deve ser realizada pela ausculta intermitente dos batimentos cardiofetais, ao passo que, no segundo período do parto, a monitorização da frequência cardíaca fetal deve ser contínua, através da cardiotocografia. II. O toque vaginal para avaliação da progressão do trabalho de parto pode ser realizado a cada 2-4 horas, a depender da necessidade, porém o número de exames vaginais deve ser reduzido ao mínimo necessário. III. A paciente poderá adotar a posição que achar mais confortável durante o trabalho de parto, podendo deambular e adotar posições verticalizadas. Quais estão corretas?
Baixo risco → Ausculta intermitente (não CTG contínua) + Liberdade de posição + Toque vaginal a cada 4h.
Na gestante de risco habitual, a monitorização fetal deve ser intermitente e a autonomia materna preservada, evitando intervenções rotineiras desnecessárias que aumentam o risco de cesariana.
A assistência ao parto de risco habitual passou por mudanças significativas nas últimas décadas, migrando de um modelo intervencionista para um modelo baseado em evidências e centrado na mulher. A ausculta intermitente dos batimentos cardiofetais (BCF) é o padrão-ouro para o baixo risco: a cada 15-30 minutos na fase ativa e a cada 5 minutos no período expulsivo. A cardiotocografia contínua, embora comum em muitos serviços, deve ser evitada no baixo risco devido ao seu baixo valor preditivo positivo para hipóxia fetal real, levando a cesarianas desnecessárias. Além da monitorização, o suporte emocional (presença de acompanhante e doula), métodos não farmacológicos de alívio da dor (banhos, massagens) e a restrição de procedimentos como a episiotomia de rotina e a manobra de Kristeller são fundamentais. O partograma continua sendo a ferramenta essencial para o acompanhamento da dilatação e descida, permitindo a identificação precoce de distócias sem precipitar intervenções.
A cardiotocografia (CTG) contínua não é recomendada rotineiramente para gestantes de risco habitual (baixo risco), pois está associada a um aumento nas taxas de intervenções cirúrgicas sem melhora nos desfechos neonatais. Ela deve ser reservada para gestações de alto risco (ex: pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal, diabetes gestacional em uso de insulina) ou quando a ausculta intermitente detecta anormalidades na frequência cardíaca fetal durante o trabalho de parto.
De acordo com as diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde, o toque vaginal deve ser realizado com parcimônia para reduzir o risco de infecção e o desconforto materno. Em um trabalho de parto que progride normalmente, recomenda-se um intervalo de aproximadamente 4 horas entre os exames. No entanto, a frequência pode ser individualizada se houver sinais de progressão rápida ou se a paciente solicitar, sempre priorizando o menor número de exames possível.
As posições verticalizadas (sentada, de cócoras, em pé ou deambulando) durante o trabalho de parto trazem diversos benefícios: utilizam a gravidade para auxiliar a descida fetal, melhoram os diâmetros pélvicos, reduzem a dor relatada pela paciente e podem diminuir a duração do segundo estágio do parto. A paciente deve ter total liberdade para adotar a posição que lhe for mais confortável, evitando a posição supina obrigatória.
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