Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Gestante de 28 anos, com 39 semanas, apresenta-se em trabalho de parto ativo. Está em posição cefálica, com dilatação de 5 cm e boa vitalidade fetal. Qual das seguintes ações está alinhada às boas práticas de parto humanizado?
Parto humanizado = Liberdade de posição + Acompanhante + Dieta livre - Intervenções de rotina.
As evidências atuais desencorajam intervenções rotineiras como amniotomia e jejum, priorizando a autonomia da gestante e o suporte emocional contínuo para melhores desfechos.
A humanização do parto baseia-se no respeito à fisiologia feminina e na medicina baseada em evidências. O modelo tecnocrático, que tratava o parto como um evento patológico repleto de intervenções (jejum, tricotomia, enema), foi substituído por um modelo centrado na mulher. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatiza que uma experiência de parto positiva inclui não apenas a segurança clínica, mas também o respeito à dignidade e autonomia da paciente. Práticas como o contato pele a pele imediato e o clampeamento tardio do cordão umbilical são extensões desse cuidado humanizado que impactam diretamente na saúde do binômio.
Intervenções como amniotomia, episiotomia, manobra de Kristeller e restrição hídrica/alimentar não devem ser realizadas de forma rotineira. A evidência científica demonstra que essas práticas não melhoram os desfechos neonatais ou maternos em gestações de baixo risco e podem aumentar o risco de complicações e a percepção de dor da paciente. O foco deve ser na vigilância do bem-estar fetal e materno, permitindo que o processo fisiológico ocorra com o mínimo de interferência necessária, reservando intervenções apenas para indicações clínicas precisas.
A liberdade de posição permite que a gestante encontre posturas que facilitem a descida fetal e reduzam o desconforto. Posições verticalizadas (sentada, de cócoras, em pé) estão associadas a uma menor duração do segundo estágio do parto e menor necessidade de analgesia, além de otimizar os diâmetros pélvicos. A posição supina clássica pode causar compressão da veia cava inferior, reduzindo o débito cardíaco e a perfusão placentária, o que pode comprometer a oxigenação fetal durante as contrações.
A Lei nº 11.108/2005, conhecida como Lei do Acompanhante, garante à gestante o direito de ter um acompanhante de sua escolha durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato no âmbito do SUS ou rede privada. A presença de suporte contínuo está associada a menores taxas de cesariana, menor uso de ocitocina sintética, menor necessidade de analgesia farmacológica e maior satisfação materna com a experiência do nascimento, sendo um pilar fundamental da humanização.
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