CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a alternativa correta em relação ao uso oftalmológico da mitomicina C:
Mitomicina C → Alquilação do DNA + Inibição potente de fibroblastos (derivada do Streptomyces caespitosus).
A Mitomicina C (MMC) é um agente antineoplásico e antibiótico que atua como agente alquilante, inibindo a síntese de DNA e a proliferação de fibroblastos, crucial para o sucesso da trabeculectomia.
O uso de antimetabólitos revolucionou a cirurgia de glaucoma ao aumentar as taxas de sucesso da trabeculectomia. A Mitomicina C destaca-se por ser um agente ciclo-inespecífico que atua em todas as fases do ciclo celular, proporcionando uma inibição fibroblástica mais duradoura e potente que o 5-FU. O conhecimento de sua farmacodinâmica é essencial para o cirurgião oftalmologista, visando equilibrar a eficácia na manutenção da fístula com a segurança dos tecidos oculares.
A Mitomicina C é um antibiótico antineoplásico isolado do fungo Streptomyces caespitosus. Seu mecanismo de ação principal é a alquilação do DNA, formando ligações cruzadas (cross-linking) entre as fitas de DNA, o que impede a replicação celular e a síntese de RNA e proteínas. Na oftalmologia, ela é utilizada principalmente por sua capacidade de inibir a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno, reduzindo a formação de tecido cicatricial fibrótico em procedimentos cirúrgicos.
Diferente do 5-fluorouracil, que pode exigir múltiplas injeções subconjuntivais pós-operatórias, a Mitomicina C é tipicamente aplicada em uma única exposição intraoperatória. Esponjas embebidas em uma solução de MMC (geralmente entre 0,2 a 0,5 mg/ml) são colocadas sob o retalho escleral ou conjuntival por um período de 1 a 5 minutos, seguido de irrigação copiosa com soro fisiológico para remover o excesso de droga e limitar a toxicidade tecidual.
As principais indicações incluem a trabeculectomia (especialmente em pacientes com alto risco de falha por cicatrização, como jovens ou reoperações), cirurgia de pterígio (para reduzir a taxa de recorrência), cirurgias refrativas de superfície (PRK) para prevenir o 'haze' corneano, e no tratamento de neoplasias escamosas da superfície ocular. Devido à sua alta potência, o uso deve ser cauteloso para evitar complicações como afinamento escleral, hipotonia ocular crônica e toxicidade endotelial.
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