SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Assinale a alternativa correta em relação ao pé diabético.
Úlcera plantar indolor em diabético → neuropatia sensitiva até prova em contrário.
A neuropatia sensitiva é um componente chave do pé diabético, levando à perda da sensação protetora. Qualquer úlcera plantar que não cause dor em um paciente diabético deve levantar forte suspeita de neuropatia, que é um fator de risco primário para lesões e infecções.
O pé diabético é uma complicação grave e multifatorial do diabetes mellitus, resultante da interação entre neuropatia (sensitiva, motora e autonômica), doença arterial periférica (isquemia) e infecção. A neuropatia sensitiva é um dos pilares da patogênese, levando à perda da sensação protetora e à incapacidade de perceber lesões ou pressões excessivas, o que predispõe à formação de úlceras. A neuropatia motora causa deformidades ósseas, e a autonômica afeta a sudorese e o fluxo sanguíneo cutâneo, ressecando a pele e tornando-a mais suscetível a fissuras. É uma condição de alta morbidade e mortalidade, sendo a principal causa de amputações não traumáticas. A avaliação do pé diabético deve ser abrangente, incluindo a pesquisa de neuropatia (monofilamento de Semmes-Weinstein, diapasão), doença arterial periférica (palpação de pulsos, índice tornozelo-braquial - ITB, doppler vascular) e sinais de infecção. A presença de pulsos podálicos não exclui isquemia, especialmente em diabéticos com calcificação arterial. O ITB pode ser falsamente elevado em pacientes com calcificação arterial, sendo necessário considerar outros métodos como a medida da pressão no hálux. A avaliação clínica do aspecto e temperatura do local, associada a exames complementares, é fundamental. No diagnóstico de infecção, o RX simples é a primeira linha para identificar osteomielite (destruição óssea, periostite) ou gás nos tecidos moles, mas tem baixa sensibilidade inicial. Para osteomielite, a ressonância magnética (RM) é o exame de imagem mais sensível e específico. A tomografia computadorizada (TC) é útil para avaliar a extensão da destruição óssea e planejar cirurgias, mas tem menor sensibilidade e especificidade que a RM para infecções de partes moles e osteomielite. A afirmação de que qualquer paciente que caminhe sobre úlcera plantar sem sentir dor tem neuropatia sensitiva, até que se prove o contrário, é um princípio fundamental na avaliação do pé diabético, destacando a importância da perda da sensação protetora.
A neuropatia sensitiva é crucial no pé diabético porque leva à perda da sensação protetora, impedindo que o paciente perceba traumas, pressões excessivas ou lesões. Isso resulta em úlceras indolores que podem progredir para infecções graves e amputações se não forem identificadas e tratadas precocemente.
Não, a simples presença de pulsos podálicos não é suficiente para afastar a isquemia. Embora a ausência de pulsos seja um forte indicativo de doença arterial periférica, pacientes diabéticos podem ter calcificação da camada média das artérias, o que pode manter os pulsos palpáveis mesmo com obstruções arteriais significativas, especialmente em vasos menores.
O RX simples é útil para identificar áreas de destruição óssea (sugerindo osteomielite), presença de corpo estranho ou ar no subcutâneo (sugerindo infecção por germes produtores de gás). Contudo, sua sensibilidade para osteomielite é baixa nas fases iniciais, e ele não permite um planejamento cirúrgico detalhado de partes moles.
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