AAS em Idosos: Prevenção Primária e Risco de Sangramento

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Em setembro deste ano, resultados do estudo ASPREE (Aspirin in Reducing Events in the Elderly) foram publicados no periódico New England Journal of Medicine (NEJM). Os pesquisadores recrutaram 19.114 pessoas não institucionalizadas, na Austrália e nos Estados Unidos, com setenta anos de idade ou mais (65 anos ou mais para participantes negros ou hispânicos nos Estados Unidos) e que, ao início do estudo, não apresentavam doença cardiovascular, demência ou deficiência física. Destes, 9.525 participantes foram designados aleatoriamente para receber 100 mg de ácido acetilsalicílico com revestimento entérico por dia e 9.589, para receber placebo. No último ano de participação no estudo, a adesão ao tratamento foi de 62,1% no grupo do ácido acetilsalicílico e de 64,1% no grupo do placebo. O ensaio clínico foi encerrado com uma mediana de 4,7 anos de acompanhamento. Esse foi o primeiro grande ensaio de prevenção primária em larga escala, no qual a sobrevida sem deficiências foi o desfecho escolhido. Parte dos resultados do estudo ASPREE estão resumidos na tabela abaixo. Com base nos resultados apresentados, é correto afirmar que o(a)

Alternativas

  1. A) estudo demonstrou benefícios para prolongar a sobrevida, sem deficiências com o uso de AAS para prevenção primária em idosos saudáveis, e um risco significativamente maior de sangramento grave.
  2. B) estudo demonstrou a ausência de benefícios para prolongar a sobrevida, sem deficiências com o uso de AAS para prevenção primária em idosos saudáveis, e um risco significativamente maior de sangramento grave.
  3. C) estudo demonstrou a ausência de benefícios para prolongar a sobrevida, sem deficiências com o uso de AAS para prevenção primária em idosos saudáveis, e um risco significativamente menor de sangramento grave.
  4. D) estudo demonstrou benefícios para prolongar a sobrevida, sem deficiências com o uso de AAS para prevenção primária em idosos saudáveis e sem aumento do risco de sangramento grave.
  5. E) prevenção primária com o uso de AAS apresentou grande benefício em idosos saudáveis, apesar do risco aumentado de hemorragia.

Pérola Clínica

Estudo ASPREE: AAS em idosos saudáveis para prevenção primária não ↑ sobrevida sem deficiências e ↑ risco de sangramento grave.

Resumo-Chave

O estudo ASPREE demonstrou que o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose para prevenção primária de eventos cardiovasculares em idosos saudáveis não resultou em um aumento da sobrevida livre de deficiências. Pelo contrário, foi associado a um risco significativamente maior de sangramentos graves, questionando a prática de prescrever AAS para prevenção primária nessa população.

Contexto Educacional

O estudo ASPREE (Aspirin in Reducing Events in the Elderly) foi um marco na pesquisa sobre prevenção cardiovascular, investigando os efeitos do ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose em uma população de idosos saudáveis. Publicado no New England Journal of Medicine, seus resultados tiveram um impacto significativo nas diretrizes clínicas, desafiando a noção de que o AAS seria universalmente benéfico para a prevenção primária em todas as faixas etárias. A importância clínica reside em otimizar a prescrição de medicamentos, evitando danos desnecessários a pacientes vulneráveis. O estudo recrutou mais de 19.000 participantes, com idade igual ou superior a 70 anos (ou 65 para minorias nos EUA), sem doença cardiovascular, demência ou deficiência física prévia. Eles foram randomizados para receber 100 mg de AAS ou placebo diariamente. O desfecho primário foi a sobrevida livre de deficiências. Os resultados demonstraram que o AAS não prolongou a sobrevida livre de deficiências e, notavelmente, aumentou o risco de sangramentos graves, incluindo hemorragias intracranianas e gastrointestinais, sem reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares maiores ou câncer. Esses achados reforçam a necessidade de uma avaliação cuidadosa do risco-benefício antes de prescrever AAS para prevenção primária, especialmente em idosos. O prognóstico para pacientes que utilizam AAS para prevenção primária deve considerar o risco aumentado de sangramento. As diretrizes atuais enfatizam a individualização do tratamento, focando em modificações de estilo de vida e controle de fatores de risco tradicionais para a prevenção cardiovascular em idosos saudáveis, reservando o AAS para prevenção secundária ou para pacientes selecionados com alto risco cardiovascular e baixo risco de sangramento.

Perguntas Frequentes

Qual foi a principal conclusão do estudo ASPREE sobre o uso de AAS em idosos?

O estudo ASPREE concluiu que o uso diário de baixa dose de ácido acetilsalicílico (AAS) em idosos saudáveis, sem doença cardiovascular prévia, não prolongou a sobrevida livre de deficiências e foi associado a um risco significativamente maior de sangramento grave.

Quais foram os principais desfechos avaliados no estudo ASPREE?

Os principais desfechos avaliados foram a sobrevida sem deficiências (um desfecho composto de morte, demência ou deficiência física persistente), eventos cardiovasculares maiores e sangramentos graves. O estudo foi notável por focar na sobrevida sem deficiências como desfecho primário.

O AAS ainda é recomendado para prevenção primária em alguma população?

As diretrizes atuais geralmente não recomendam o uso rotineiro de AAS para prevenção primária em idosos saudáveis devido ao risco de sangramento. A decisão de usar AAS para prevenção primária deve ser individualizada, considerando o risco cardiovascular do paciente e o risco de sangramento, geralmente em pacientes com alto risco cardiovascular e baixo risco de sangramento.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo