FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, 4 anos de idade, comparece à consulta ambulatorial de pneumologia devido à queixa de tosse produtiva crônica há aproximadamente 2 anos. Durante o atendimento, relata que desde o início do quadro, a paciente compareceu algumas vezes à consulta a pronto-socorro devido a presença de tosse e, em muitas vezes, com febre associada ao quadro. Informa que nesses atendimentos normalmente é diagnosticada com pneumonia e que os médicos afirmam ter uma mancha em pulmão sugestiva da pneumonia. A mãe apresenta algumas radiografias durante a consulta, onde é possível identificar uma opacidade persistente em lobo médio, porém, com características de atelectasia. Ao exame, a paciente apresenta-se em bom estado geral, sem taquidispneia, mas com ausculta reduzida em hemitórax direito. Sem outras alterações dignas de nota. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA.
Criança < 5 anos, tosse crônica, pneumonia de repetição, atelectasia persistente → Suspeitar corpo estranho via aérea.
Em crianças pequenas, especialmente menores de 5 anos, a aspiração de corpo estranho é uma causa comum de tosse crônica, pneumonias de repetição e achados radiográficos persistentes como atelectasias. A história de início súbito da tosse, mesmo que não lembrada, e a lateralidade dos achados radiológicos (mais comum à direita) reforçam essa suspeita.
A tosse produtiva crônica em crianças, definida como tosse que persiste por mais de 4 semanas, é um sintoma comum que exige investigação cuidadosa. Em muitos casos, pode ser um sinal de condições subjacentes mais sérias do que infecções virais comuns. A pneumonia de repetição, especialmente quando afeta o mesmo lobo pulmonar e se associa a achados radiográficos persistentes como atelectasias, deve levantar a suspeita de causas obstrutivas ou estruturais. Em crianças menores de 5 anos, a aspiração de corpo estranho é uma causa frequente e potencialmente grave de tosse crônica e pneumonias de repetição. Objetos pequenos podem ser inalados e alojar-se nas vias aéreas, causando obstrução parcial ou total, inflamação e infecções secundárias. A anatomia brônquica favorece a aspiração para o lado direito. A história de um episódio de engasgo, mesmo que não lembrado pelos pais, é um forte indício, assim como a presença de opacidades persistentes ou atelectasias em radiografias de tórax. O diagnóstico de aspiração de corpo estranho é primariamente clínico, baseado na história e nos achados de imagem. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação unilateral, atelectasia, infiltrados ou o próprio corpo estranho radiopaco. Em casos de alta suspeita, a broncoscopia é o procedimento diagnóstico e terapêutico de escolha, permitindo a visualização e remoção do corpo estranho. O tratamento precoce é crucial para prevenir complicações como bronquiectasias e danos pulmonares permanentes.
Os sinais de alerta incluem tosse súbita e intensa (engasgo), sibilância unilateral, estridor, cianose, e, em casos crônicos, tosse persistente, pneumonias de repetição (especialmente no mesmo lobo), atelectasias ou bronquiectasias.
A aspiração de corpo estranho é mais comum no brônquio principal direito devido à sua anatomia: é mais largo, mais curto e tem uma angulação menos aguda em relação à traqueia do que o brônquio principal esquerdo, facilitando a entrada de objetos.
O exame padrão-ouro para confirmar e remover um corpo estranho na via aérea é a broncoscopia rígida, que permite a visualização direta e a extração do objeto.
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