Corpo Estranho Via Aérea Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menina de 5 anos apresenta subitamente tosse e falta de ar. Mãe relata que paciente estava em festa junina comendo amendoim e brincando no pula-pula. Ao exame físico: SatO2 95% (ar ambiente), FR 30 irpm, estridor. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) anafilaxia; epinefrina intramuscular.
  2. B) crise de broncoespasmo; salbutamol ciclo de resgate.
  3. C) corpo estranho na via aérea; manobras de retirada do corpo estranho.
  4. D) crise de laringoespasmo; metilprednisolona IV.

Pérola Clínica

Criança + tosse súbita + falta de ar + estridor + história de ingesta (amendoim) → Corpo Estranho Via Aérea → Manobras de desengasgo.

Resumo-Chave

A história de tosse súbita, falta de ar e estridor em uma criança que estava comendo amendoim e brincando é altamente sugestiva de aspiração de corpo estranho. O estridor indica obstrução de via aérea alta, e a conduta inicial é a realização de manobras de desengasgo.

Contexto Educacional

A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica grave e uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente na faixa etária de 1 a 3 anos, devido à exploração oral e imaturidade dos reflexos de deglutição e tosse. Alimentos como amendoim, pipoca e sementes, além de pequenos brinquedos, são os mais frequentemente aspirados. O reconhecimento rápido e a intervenção adequada são cruciais para um desfecho favorável. O quadro clínico da ACE pode variar de acordo com o local e o grau de obstrução. A apresentação clássica inclui tosse súbita, engasgo, dispneia e cianose. Se o corpo estranho estiver na via aérea superior (laringe ou traqueia), pode haver estridor. Se estiver nos brônquios, pode causar sibilos, tosse persistente e, a longo prazo, atelectasia ou pneumonia recorrente. A história de um evento súbito enquanto a criança estava comendo ou brincando é o dado mais importante para a suspeita diagnóstica. A conduta inicial para a ACE é baseada na avaliação do grau de obstrução e na idade da criança. Se a criança estiver consciente e tossindo eficazmente, deve-se encorajá-la a tossir. Se houver sinais de obstrução grave (cianose, incapacidade de falar/tossir, estridor intenso), as manobras de desengasgo devem ser realizadas imediatamente: para lactentes (<1 ano), alternar 5 tapas nas costas e 5 compressões torácicas; para crianças maiores (>1 ano), alternar 5 tapas nas costas e 5 compressões abdominais (Manobra de Heimlich). Após a estabilização, a remoção do corpo estranho geralmente requer broncoscopia rígida.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais e sintomas de aspiração de corpo estranho em crianças?

Os sinais incluem tosse súbita, engasgo, dispneia, cianose, estridor (se obstrução alta) ou sibilos (se obstrução baixa). A história de brincar ou comer antes do início súbito é crucial.

Qual a conduta inicial para corpo estranho na via aérea em crianças?

A conduta inicial depende da idade e do estado da criança. Em crianças conscientes com obstrução parcial, encorajar a tosse. Em obstrução grave, realizar manobras de desengasgo (tapas nas costas e compressões abdominais para >1 ano, compressões torácicas para <1 ano).

Como diferenciar aspiração de corpo estranho de broncoespasmo?

A aspiração de corpo estranho geralmente tem início súbito e está associada a um evento de engasgo ou ingesta, podendo apresentar estridor ou sibilos unilaterais. O broncoespasmo, por sua vez, costuma ter pródromos virais e sibilos difusos, respondendo a broncodilatadores.

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