Aspiração de Corpo Estranho Pediátrico: Diagnóstico e Manejo

Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Criança dois anos e seis meses, masculino, previamente hígido, é levado pela mãe ao pediatra por apresentar quadro de tosse e chiado no peito nos últimos 15 dias. Exame físico: ativo, discreta dispneia, sem sinais de toxemia. AR: roncos e sibilos disseminados, discreta diminuição do murmúrio vesicular em todo hemitórax direito. RX do tórax: hiperinsuflação à direita com discreto desvio das estruturas do mediastino para a esquerda. Hipótese diagnóstica e conduta são:

Alternativas

  1. A) Enfisema lobar congênito / tomografia de tórax.
  2. B) Aspiração de corpo estranho / broncoscopia.
  3. C) Síndrome do lactente sibilante / prednisolona 1mg/kg/dia por cinco dias.
  4. D) Asma / salbutamol 2 jatos, com espaçador, com intervalos de 20 minutos, três vezes.

Pérola Clínica

Criança < 3 anos + tosse/chiado agudo + achados unilaterais (MV ↓, hiperinsuflação, desvio mediastino) → Aspiração corpo estranho = Broncoscopia.

Resumo-Chave

A aspiração de corpo estranho é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças pequenas. A apresentação clínica pode ser sutil, mas achados unilaterais no exame físico e radiografia de tórax (hiperinsuflação, atelectasia, desvio de mediastino) são altamente sugestivos. A broncoscopia é diagnóstica e terapêutica.

Contexto Educacional

A aspiração de corpo estranho é uma causa comum de morbidade e mortalidade em crianças pequenas, principalmente entre 1 e 3 anos de idade, devido à exploração oral e imaturidade do reflexo de tosse. Objetos pequenos, como alimentos (amendoim, pipoca) ou brinquedos, são frequentemente aspirados. A importância clínica reside na necessidade de diagnóstico e intervenção rápidos para evitar complicações respiratórias graves. A fisiopatologia envolve a obstrução parcial ou total das vias aéreas, levando a sintomas como tosse, engasgo, dispneia e chiado. A suspeita diagnóstica é levantada pela história clínica (episódio de engasgo presenciado ou súbito início de sintomas respiratórios) e exame físico, que pode revelar assimetria na ausculta pulmonar. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação unilateral, atelectasia ou desvio de mediastino, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. A conduta definitiva é a broncoscopia rígida, que é tanto diagnóstica quanto terapêutica, permitindo a remoção do corpo estranho. O prognóstico é geralmente bom se o corpo estranho for removido precocemente. Atrasos no diagnóstico e tratamento podem levar a complicações como pneumonia recorrente, bronquiectasias, abscessos pulmonares ou estenose brônquica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para aspiração de corpo estranho em crianças?

Sinais de alerta incluem tosse súbita, engasgo, dispneia, chiado, e achados unilaterais no exame físico como diminuição do murmúrio vesicular ou sibilos localizados, especialmente em crianças pequenas sem histórico de asma.

Por que a broncoscopia é a conduta de escolha na aspiração de corpo estranho?

A broncoscopia é o método diagnóstico e terapêutico de escolha porque permite a visualização direta das vias aéreas, a localização e a remoção do corpo estranho, prevenindo complicações como pneumonia, atelectasia ou bronquiectasia.

Quais achados radiográficos sugerem aspiração de corpo estranho?

Os achados radiográficos podem incluir hiperinsuflação unilateral (devido ao mecanismo de válvula), atelectasia, infiltrados pulmonares, ou desvio do mediastino para o lado oposto ao da hiperinsuflação. Em alguns casos, o corpo estranho radiopaco pode ser visível.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo