Aspiração de Corpo Estranho em Lactentes: Sinais e Diagnóstico

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Lactente, 9 meses, chega a emergência com a mãe apresentando quadro de tosse de início agudo. Sem febre. Ao exame físico: ausculta pulmonar com sibilos unilaterais à direita + esforço respiratório. Sem história prévia de quadro semelhante e nenhuma internação. Refere início recente de alimentos sólidos na dieta. Qual é a hipótese mais provável de diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Asma.
  2. B) Pneumonia.
  3. C) Bronquite viral aguda.
  4. D) Presença de corpo estranho na via aérea.
  5. E) Gripe.

Pérola Clínica

Lactente com tosse aguda, sibilos unilaterais e história de introdução alimentar → suspeitar de corpo estranho em via aérea.

Resumo-Chave

A aspiração de corpo estranho deve ser fortemente suspeitada em lactentes com início agudo de tosse, sibilos unilaterais e sem febre, especialmente se houver história recente de introdução de alimentos sólidos ou acesso a objetos pequenos. A unilateralidade dos sibilos é um sinal chave.

Contexto Educacional

A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças menores de 3 anos, devido à sua tendência de explorar objetos com a boca e à imaturidade dos reflexos de deglutição e tosse. Alimentos (amendoim, pipoca, sementes) e pequenos brinquedos são os mais frequentemente aspirados. A ACE pode causar obstrução parcial ou total das vias aéreas, levando a desconforto respiratório e, em casos graves, à morte. O quadro clínico da ACE é variável e depende da localização e do grau de obstrução. A história de início agudo de tosse ou engasgo, sem febre, é um forte indicativo. Ao exame físico, a presença de sibilos unilaterais, diminuição do murmúrio vesicular ou crepitantes localizados são achados sugestivos. A unilateralidade é crucial para diferenciar de condições como asma ou bronquiolite. O diagnóstico da ACE é clínico e radiológico, mas a broncoscopia rígida é o padrão-ouro, sendo diagnóstica e terapêutica. Radiografias de tórax podem mostrar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, atelectasia ou desvio mediastinal. O manejo envolve a estabilização do paciente e a remoção urgente do corpo estranho para prevenir complicações como pneumonia pós-obstrutiva, bronquiectasias ou abscesso pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de aspiração de corpo estranho em lactentes?

Os sinais e sintomas clássicos incluem tosse súbita e intensa, engasgo, cianose, e posteriormente, desconforto respiratório, estridor (se na via aérea superior) ou sibilos (se na via aérea inferior). A unilateralidade dos sibilos é um achado muito sugestivo.

Por que a introdução recente de alimentos sólidos é um fator de risco importante para aspiração de corpo estranho?

Lactentes em fase de introdução alimentar estão expostos a novos alimentos com texturas variadas, e sua coordenação de deglutição ainda está em desenvolvimento. Além disso, a curiosidade oral os leva a explorar objetos pequenos, aumentando o risco de aspiração.

Qual o próximo passo diagnóstico e terapêutico após a suspeita de corpo estranho em via aérea?

O próximo passo diagnóstico é uma radiografia de tórax (inspiração/expiração ou decúbito lateral) para procurar sinais indiretos de obstrução. O tratamento definitivo é a remoção do corpo estranho por broncoscopia rígida, que deve ser realizada o mais rápido possível.

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