UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Menina, 10m, é trazida à Emergência por ter apresentado quadro súbito de acesso de tosse e cansaço. Nega febre e coriza. Exame físico: bom estado geral; T=36,5ºC; FR=62irmp; FC=110bpm; pulsos cheios; perfusão periférica=2 segundos; oximetria de pulso= 91% (ar ambiente); batimento de asa nasal; retração intercostal; pulmões: murmúrio vesicular presente, com roncos disseminados bilateralmente; coração: bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Lactente com início súbito de tosse e desconforto respiratório, sem pródromos virais, com roncos/sibilância → Aspiração de corpo estranho.
A aspiração de corpo estranho deve ser fortemente suspeitada em lactentes com início súbito de tosse, desconforto respiratório e sinais de obstrução de vias aéreas, especialmente na ausência de febre ou outros sintomas virais.
A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica grave, especialmente em crianças menores de 3 anos, devido à sua tendência de explorar objetos com a boca e à imaturidade dos mecanismos de proteção das vias aéreas. É uma causa significativa de morbimortalidade infantil, e o diagnóstico precoce é vital para um desfecho favorável. O quadro clínico da ACE varia conforme a localização e o tamanho do corpo estranho. O início é frequentemente súbito, com tosse, engasgos e desconforto respiratório, sem pródromos de infecção viral. A ausculta pulmonar pode revelar sibilância unilateral ou bilateral, roncos, ou até mesmo diminuição do murmúrio vesicular. A hipóxia e o batimento de asa nasal, juntamente com retrações, indicam obstrução significativa. É crucial diferenciar de condições como bronquiolite, laringite ou asma, que geralmente apresentam um histórico de sintomas virais prévios. O manejo da ACE depende da gravidade da obstrução. Em obstrução grave e completa, manobras de desobstrução (Heimlich em crianças maiores, golpes nas costas e compressões torácicas em lactentes) são indicadas. Em casos de obstrução parcial ou suspeita, a broncoscopia rígida é o procedimento diagnóstico e terapêutico de escolha, permitindo a visualização e remoção do corpo estranho. A radiografia de tórax pode ser útil, mas um exame normal não exclui a presença de corpo estranho radiotransparente.
Os sinais clássicos incluem início súbito de tosse, engasgos, sibilância ou estridor, desconforto respiratório e, em casos graves, cianose. A ausência de febre ou pródromos virais é um forte indicativo.
A aspiração de corpo estranho tem início súbito, sem pródromos virais, enquanto a bronquiolite geralmente é precedida por sintomas de IVAS (coriza, febre baixa) e tem um curso mais gradual.
Em lactentes conscientes, realizar manobras de desobstrução (cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas). Em casos estáveis, a broncoscopia é o padrão ouro para diagnóstico e remoção.
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