UEPG - Hospital Universitário de Ponta Grossa (PR) — Prova 2017
Menina de 2 anos, previamente hígida, apresentou-se com queixas de início de sibilância aguda. Sua mãe nega episódios anteriores de sibilância, além de história familiar de asma e atopia. A menina brincava no quarto com um irmão mais velho, e que, cerca de 20 minutos depois, ela ouviu a filha tossindo e chiando. Identifique a melhor conduta a ser seguida e assinale o que for correto.
Sibilância aguda súbita em criança previamente hígida → suspeitar aspiração corpo estranho.
Em crianças pequenas, a aspiração de corpo estranho é uma causa comum de sibilância aguda de início súbito, especialmente na ausência de histórico de atopia ou asma. A investigação inicial deve focar na anamnese detalhada sobre o evento e exames de imagem para localizar o corpo estranho e avaliar suas consequências.
A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças menores de 3 anos, devido à sua tendência de explorar objetos com a boca e à imaturidade dos reflexos de deglutição e tosse. Objetos pequenos como amendoins, sementes, brinquedos e peças plásticas são os mais frequentemente aspirados, podendo causar obstrução parcial ou total das vias aéreas. A importância clínica reside no risco de asfixia imediata ou complicações pulmonares crônicas se não diagnosticada e tratada precocemente. O diagnóstico de ACE é primariamente clínico, baseado na história de um evento súbito de engasgo, tosse ou sibilância, muitas vezes presenciado. A fisiopatologia envolve a obstrução mecânica das vias aéreas, levando a aprisionamento aéreo distal (se o corpo estranho for valvular) ou atelectasia (se houver obstrução completa). A suspeita deve ser alta em qualquer criança com sibilância aguda sem causa aparente ou com sibilância unilateral. Exames de imagem como radiografia de tórax podem mostrar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, desvio mediastinal ou atelectasia, embora uma radiografia normal não exclua o diagnóstico. O tratamento definitivo da ACE é a remoção do corpo estranho, geralmente por broncoscopia rígida, que é tanto diagnóstica quanto terapêutica. A conduta inicial em casos de suspeita deve ser estabilizar o paciente, realizar uma avaliação rápida e encaminhar para um centro com capacidade de broncoscopia. A administração de broncodilatadores ou corticosteroides sem a exclusão de ACE pode mascarar os sintomas e atrasar o diagnóstico correto, aumentando o risco de morbidade e mortalidade.
Os sinais incluem tosse súbita, engasgos, sibilância (que pode ser unilateral), estridor, dispneia e cianose, especialmente após um evento de brincadeira ou alimentação.
A conduta inicial envolve uma anamnese detalhada sobre o evento, exame físico completo e solicitação de radiografia de tórax (PA e lateral, e em expiração) para identificar sinais indiretos de obstrução.
A aspiração de corpo estranho se diferencia pela história de início súbito, ausência de histórico prévio de sibilância ou atopia, e achados radiográficos como aprisionamento aéreo unilateral ou atelectasia.
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