Corpo Estranho em Via Aérea: Diagnóstico Radiológico Pediátrico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino, 2a, é trazido para avaliação no Pronto-Socorro com queixa de chiado no peito e falta de ar há 20 dias. Refere tratamento de pneumonia iniciado há 14 dias e, mesmo após ter usado dois antibióticos diferentes, mantém tosse emetizante, com vômito constituído por secreção amarelada em grande quantidade. Exame físico: bom estado geral; hidratado; corado; presença de retração supraesternal e intercostal bilateral leves; pulmões: murmúrio vesicular diminuído em base direita, presença de roncos e raros sibilos difusos bilateralmente; coração: bulhas rítmicas, normofonéticas, sem sopros. Radiograma de tórax: opacidade homogênea nos 2/3 inferiores do hemitórax direito, com desvio mediastinal para a direita e hiperinsuflação do pulmão esquerdo e do 1/3 superior do pulmão direito. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Opacidade homogênea + desvio mediastinal ipsilateral + hiperinsuflação contralateral → Forte suspeita de corpo estranho em via aérea.

Resumo-Chave

A presença de opacidade homogênea com desvio mediastinal para o mesmo lado da lesão, associada à hiperinsuflação compensatória do pulmão contralateral, é um padrão radiológico clássico de atelectasia obstrutiva. Em uma criança com sintomas respiratórios persistentes e refratários a tratamento, a aspiração de corpo estranho deve ser a principal hipótese.

Contexto Educacional

A aspiração de corpo estranho (CE) em vias aéreas é uma emergência pediátrica que pode ter consequências graves se não diagnosticada e tratada precocemente. É mais comum em crianças pequenas (1-3 anos) devido à exploração oral e imaturidade do reflexo de tosse. A apresentação clínica varia de tosse súbita e engasgo a sintomas respiratórios crônicos e inespecíficos, como chiado persistente ou pneumonia de repetição. A fisiopatologia depende da localização e tipo do CE. Na traqueia, pode causar obstrução grave. Nos brônquios, pode levar a um mecanismo de válvula (hiperinsuflação) ou obstrução completa (atelectasia). O caso descrito, com opacidade homogênea, desvio mediastinal ipsilateral e hiperinsuflação compensatória, é clássico de atelectasia obstrutiva, sugerindo um CE que bloqueia totalmente um brônquio. A história de "pneumonia" refratária a antibióticos reforça a suspeita de uma causa obstrutiva subjacente. O diagnóstico é primariamente clínico e radiológico, mas a broncoscopia rígida é o padrão ouro para confirmação e remoção. É crucial manter um alto índice de suspeita em crianças com sintomas respiratórios inexplicáveis ou persistentes, especialmente se houver achados radiológicos atípicos para infecção simples. O tratamento precoce é essencial para prevenir complicações como bronquiectasias, abscessos pulmonares ou insuficiência respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais radiológicos de corpo estranho em via aérea?

Os sinais radiológicos podem incluir hiperinsuflação unilateral, atelectasia obstrutiva (com desvio mediastinal ipsilateral), pneumonia pós-obstrutiva ou, em casos de corpo estranho radiopaco, a visualização direta do objeto.

Quando suspeitar de corpo estranho em via aérea em crianças?

Suspeitar em crianças com tosse persistente, chiado unilateral, pneumonia de repetição ou refratária a tratamento, e história de engasgo, mesmo que não relatada pelos pais.

Qual a conduta diagnóstica para corpo estranho em via aérea?

A broncoscopia rígida é o padrão ouro para diagnóstico e remoção de corpo estranho em via aérea, sendo indicada diante de alta suspeita clínica e/ou radiológica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo