Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024
Lactente, sexo masculino, 2 anos de idade, foi levado ao serviço de emergência pela mãe com queixa de falta de ar iniciada há 1 hora. A mãe refere que o paciente acordou bem, foi levado para escola como habitual, onde estuda em período integral. Contudo, a professora ligou para a mãe na hora do almoço, avisando que a criança começou uma crise de tosse seguida de desconforto respiratório. Nega coriza ou febre. Não apresenta nenhum outro sintoma. Possui vacinação em dia. Já apresentou 2 internações por bronquiolite, aos 2 e 5 meses de idade, sem nenhum outro quadro respiratório desde então. Ao exame clínico, criança em bom estado geral, taquidispneica, ausculta pulmonar com sibilos apenas em hemitórax direito, mais audível na base, e com discreta redução dos murmúrios vesiculares em todo o hemitórax esquerdo, presença de tiragem subdiafragmática. Frequência respiratória de 40 irpm, frequência cardíaca de 105 bpm, saturação de 93% em ar ambiente, temperatura axilar de 36,0º C. Realizada radiografia de tórax, com imagem abaixo. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a conduta nesse momento?
Desconforto respiratório súbito + sibilância unilateral + RX suspeito em criança = Aspiração de corpo estranho → Broncoscopia.
A aspiração de corpo estranho deve ser fortemente suspeitada em crianças com início súbito de tosse e desconforto respiratório, especialmente com achados unilaterais à ausculta (sibilos, MV reduzido) e radiografia de tórax sugestiva (hiperinsuflação, atelectasia, desvio mediastinal). A broncoscopia é diagnóstica e terapêutica.
A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças de 1 a 3 anos, devido à sua curiosidade oral e imaturidade dos mecanismos de deglutição e proteção das vias aéreas. O quadro clínico clássico envolve o início súbito de tosse, engasgo e desconforto respiratório, muitas vezes sem pródromos infecciosos. A história de um evento súbito enquanto a criança brincava ou comia é um forte indicativo. Ao exame físico, a presença de sibilância unilateral, diminuição dos murmúrios vesiculares em um hemitórax ou assimetria na expansão torácica são achados cruciais que diferenciam a ACE de outras condições respiratórias como bronquiolite ou asma, que geralmente cursam com achados bilaterais. A radiografia de tórax pode revelar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, atelectasia ou desvio mediastinal, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. Diante de uma forte suspeita clínica de ACE, a conduta de urgência é a broncoscopia. Este procedimento permite a visualização direta do corpo estranho, sua localização e, mais importante, sua remoção. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a complicações graves como pneumonia de repetição, bronquiectasias, abscesso pulmonar ou até mesmo óbito por obstrução completa da via aérea.
Início súbito de tosse, engasgo, cianose, desconforto respiratório, e achados unilaterais à ausculta pulmonar (sibilos, diminuição de murmúrios vesiculares) são altamente sugestivos.
A broncoscopia, especialmente a rígida, permite a visualização direta do corpo estranho, sua localização e remoção segura, sendo tanto diagnóstica quanto terapêutica.
Achados podem incluir hiperinsuflação unilateral, atelectasia, desvio mediastinal para o lado contralateral na expiração, ou o próprio corpo estranho radiopaco. No entanto, uma radiografia normal não exclui o diagnóstico.
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