Aspiração de Corpo Estranho Pediátrico: Achados no RX Tórax

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

João, um menino de 2 anos de idade, previamente hígido, é trazido à UPA pela mãe. Ela relata que há cerca de 4 horas ele brincava com o estojo de maquiagem da irmã e iniciou com tosse, sialorreia e estridor. Tentou realizar manobras de desengasgo em casa sem sucesso, então procurou atendimento. Ao exame, João apresenta taquipneia, retração subcostal leve e murmúrio vesicular reduzido à direita. Solicitada a radiografia de tórax. Diante do caso hipotético e da radiografia de tórax acima, assinale a alternativa que apresenta os achados radiológicos que podem ser observados no exame solicitado.

Alternativas

  1. A) Impactação de corpo estranho radiolucente em brônquio fonte direito e atelectasia ipsilateral.
  2. B) Impactação de corpo estranho radiopaco em brônquio fonte direito e air trapping ipsilateral.
  3. C) Impactação de corpo estranho radiopaco em brônquio fonte direito e atelectasia ipsilateral.
  4. D) Impactação de corpo estranho radiolucente em brônquio fonte direito e air trapping ipsilateral.
  5. E) Presença de provável artefato de sobreposição em RX de tórax. Sem mais alterações.

Pérola Clínica

Aspiração corpo estranho → tosse súbita, estridor, sibilância unilateral; RX pode mostrar air trapping ou atelectasia.

Resumo-Chave

A aspiração de corpo estranho em crianças é uma emergência pediátrica. Os achados clínicos clássicos incluem tosse súbita, engasgo, estridor e sibilância unilateral. Radiologicamente, se o corpo estranho for radiopaco, ele pode ser visível. Mais comumente, corpos estranhos radiolucentes causam sinais indiretos como 'air trapping' (hiperinsuflação) devido ao mecanismo de válvula, ou atelectasia se a obstrução for completa.

Contexto Educacional

A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças pequenas (1 a 3 anos), devido à sua tendência de explorar objetos com a boca e à imaturidade dos reflexos de deglutição e tosse. Os objetos mais frequentemente aspirados são alimentos (amendoim, pipoca) e pequenos brinquedos. A apresentação clínica pode variar desde um episódio agudo de engasgo, tosse e estridor, até sintomas crônicos como tosse persistente, sibilância recorrente ou pneumonias de repetição, se o diagnóstico for tardio. No exame físico, pode-se encontrar taquipneia, retrações, sibilância ou diminuição do murmúrio vesicular unilateral. A localização mais comum da impactação é no brônquio principal direito, devido à sua angulação mais vertical. A radiografia de tórax é o exame inicial, mas é importante lembrar que a maioria dos corpos estranhos são radiolucentes e, portanto, não visíveis diretamente. Os achados radiológicos indiretos são cruciais. O mais comum é o 'air trapping' (hiperinsuflação) no lado afetado, que ocorre quando o corpo estranho atua como uma válvula, permitindo a entrada de ar, mas impedindo sua saída. Isso é mais bem visualizado em radiografias expiratórias ou em decúbito lateral. Outros achados incluem atelectasia (se a obstrução for completa) ou infiltrados pneumônicos. A broncoscopia rígida é o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento. No caso da questão, o enunciado sugere um corpo estranho radiopaco (maquiagem pode conter partículas metálicas ou minerais), o que facilitaria a visualização direta, além do air trapping.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de alerta para aspiração de corpo estranho em crianças?

Sinais de alerta incluem início súbito de tosse, engasgo, estridor, sibilância unilateral, dificuldade respiratória e cianose. A história de brincar com objetos pequenos é um forte indício.

Como o 'air trapping' se manifesta na radiografia de tórax após aspiração de corpo estranho?

O 'air trapping' ocorre quando o corpo estranho atua como uma válvula unidirecional, permitindo a entrada de ar, mas dificultando sua saída. Isso leva à hiperinsuflação do pulmão ipsilateral, mais evidente em radiografias expiratórias.

Qual a conduta definitiva para um corpo estranho aspirado?

A conduta definitiva é a remoção do corpo estranho por broncoscopia rígida, que é tanto diagnóstica quanto terapêutica. Isso deve ser feito o mais rápido possível para evitar complicações.

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