USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Menina de 18 meses é levada ao atendimento de urgência. Mãe relata que, há 30 minutos, criança estava brincando em casa, sem supervisão, quando a escutou tossir e chorar subitamente. Iniciou sialorreia logo a seguir. Nega febre, sintomas gripais ou vômitos. Na entrada, a criança se encontrava pouco chorosa, mantendo sialorreia, eupneica, com murmúrios vesiculares presentes e simétricos, sem ruídos adventícios. Frequência cardíaca de 120 bpm, saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente, frequência respiratória de 28 ipm. Com relação à investigação, qual a recomendação que aumenta o poder diagnóstico do exame de imagem?
Suspeita de corpo estranho em vias aéreas: radiografia de tórax em duas incidências (PA e perfil) aumenta poder diagnóstico.
Em casos de suspeita de aspiração de corpo estranho, a realização de radiografias de tórax em duas incidências (ântero-posterior e perfil) é crucial. Isso permite uma melhor localização do objeto, especialmente se ele for radiopaco, e a avaliação de sinais indiretos de obstrução, como hiperinsuflação ou atelectasia, que podem não ser visíveis em uma única projeção.
A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças menores de 3 anos, devido à sua tendência de explorar objetos com a boca e à imaturidade dos reflexos de deglutição e tosse. O diagnóstico precoce é vital para prevenir complicações graves, como pneumonia, bronquiectasias e até óbito. A história clínica de tosse súbita, engasgos e sibilância unilateral é altamente sugestiva. Embora a broncoscopia seja o padrão-ouro para o diagnóstico e remoção, a radiografia de tórax desempenha um papel fundamental na triagem e na localização inicial. A realização de duas incidências (PA e perfil) é essencial para maximizar a detecção de corpos estranhos radiopacos e sinais indiretos de obstrução, como hiperinsuflação ou atelectasia, que podem ser sutis em uma única projeção.
Os sinais clássicos incluem tosse súbita e paroxística, engasgos, cianose, sibilância e, em casos de obstrução alta, estridor ou sialorreia. A história de brincar sem supervisão ou ter acesso a objetos pequenos é um forte indício. O quadro pode variar de leve a grave, dependendo do tamanho e localização do corpo estranho.
A radiografia de tórax em duas incidências (PA e perfil) é crucial porque permite uma visualização tridimensional das vias aéreas. Corpos estranhos radiopacos podem ser identificados diretamente, enquanto sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, atelectasia ou desvio mediastinal são melhor avaliados, aumentando significativamente o poder diagnóstico.
Os sinais radiológicos indiretos incluem hiperinsuflação pulmonar unilateral (devido ao mecanismo de válvula, aprisionando ar), atelectasia (obstrução completa), desvio mediastinal para o lado não afetado na expiração, e pneumomediastino ou pneumotórax em casos de perfuração. Esses sinais são especialmente importantes quando o corpo estranho não é radiopaco.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo