Aspiração de Corpo Estranho em Crianças: Diagnóstico e Sinais

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Lactente de 18 meses de idade foi levado ao pronto-socorro com relato de ter apresentado episódio de cianose central súbita, tosse seca intensa e dispnéia progressiva enquanto assistia à televisão com a mãe e os dois irmãos.Todos estavam comendo pipoca no momento do incidente. Nega doenças ou comodidades na lactente. A radiografia de tórax solicitada pelo pediatra de plantão evidenciou imagem de hipotransparência de aspecto triangular na base do hemitórax direito. Baseado no quadro clínico e radiológico descrito, responda: qual o diagnóstico deste paciente?

Alternativas

  1. A) Crise de “Birra".
  2. B) Aspiração de corpo estranho com atelectasia de base direita.
  3. C) Pneumonia Muito Grave.
  4. D) Crise cianótica por cardiopatia congênita sem diagnóstico estabelecido.

Pérola Clínica

Criança com cianose súbita + tosse + dispneia + história de ingestão de alimento + RX com hipotransparência → Aspiração de corpo estranho.

Resumo-Chave

A aspiração de corpo estranho é uma emergência pediátrica comum, especialmente em lactentes e crianças pequenas. A história de engasgo ou tosse súbita durante a alimentação, seguida por sintomas respiratórios e achados radiológicos como atelectasia ou hiperinsuflação, é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma causa significativa de morbidade e mortalidade em crianças, especialmente na faixa etária de 6 meses a 3 anos, devido à sua tendência de explorar objetos com a boca e à imaturidade dos reflexos de deglutição e tosse. Alimentos como pipoca, amendoim, uvas e pequenos brinquedos são os mais comuns. A apresentação clínica pode variar de obstrução aguda e grave da via aérea a sintomas respiratórios crônicos e inespecíficos. A fisiopatologia da ACE envolve a entrada do corpo estranho nas vias aéreas, geralmente nos brônquios principais (mais frequentemente o direito devido à sua angulação). Isso pode causar obstrução parcial ou total, levando a hiperinsuflação distal (mecanismo de válvula) ou atelectasia (obstrução completa), respectivamente. A história clínica é crucial, com relato de engasgo ou tosse súbita. Ao exame físico, pode-se notar assimetria de murmúrio vesicular, sibilância localizada ou estridor. A radiografia de tórax é o exame inicial, podendo revelar os achados descritos, mas um RX normal não exclui o diagnóstico. O tratamento definitivo da ACE é a remoção do corpo estranho por broncoscopia rígida, que é tanto diagnóstica quanto terapêutica. A conduta deve ser rápida para evitar complicações como pneumonia pós-obstrutiva, bronquiectasias ou até mesmo óbito por asfixia. A prevenção é fundamental, com orientação aos pais sobre alimentos e objetos perigosos para crianças pequenas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de aspiração de corpo estranho em crianças?

Os sinais clássicos incluem tosse súbita e intensa, engasgo, cianose, dispneia e estridor ou sibilância unilateral, especialmente após um episódio de alimentação ou brincadeira com objetos pequenos.

Qual a conduta inicial para um lactente com suspeita de aspiração de corpo estranho?

A conduta inicial envolve manobras de desobstrução de via aérea (manobra de Heimlich adaptada para lactentes) se houver obstrução grave. Em casos de suspeita sem obstrução total, a avaliação médica e radiográfica é urgente.

Como a radiografia de tórax pode auxiliar no diagnóstico de aspiração de corpo estranho?

A radiografia pode mostrar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, atelectasia (como a hipotransparência descrita), desvio de mediastino ou, raramente, o próprio corpo estranho se for radiopaco.

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