Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Lactente do sexo masculino, 1 ano e 6 meses de idade, previamente hígido, é levado ao Pronto-Socorro para atendimento. Os pais estavam trabalhando e foram informados pela cuidadora que a criança iniciou desconforto respiratório súbito nas últimas 2 horas, sendo encaminhada imediatamente ao Pronto-Socorro. Nega febre, nega tosse, nega coriza. Ao exame clínico, criança em regular estado geral, com ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares presentes bilateralmente, com presença de sibilos apenas em base pulmonar esquerda, frequência respiratória de 60 irpm, saturação de 88% em ar ambiente, subindo para 94% com oferta de oxigênio em máscara aberta. Apresenta fala entrecortada, tiragem de fúrcula moderada e discreto batimento de asa nasal. Sem outras alterações relevantes ao exame clínico. Solicitada radiografia de tórax, conforme imagem abaixo. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é a conduta mais adequada neste momento?
Criança + desconforto respiratório súbito + sibilo unilateral + história de engasgo/ausência de febre → Aspiração de Corpo Estranho (ACE) → Broncoscopia.
A aspiração de corpo estranho deve ser fortemente suspeitada em crianças com início súbito de desconforto respiratório, sem febre ou pródromos virais, especialmente com achados unilaterais na ausculta (sibilos ou diminuição de MV). A broncoscopia é o padrão-ouro para diagnóstico e remoção.
A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças entre 1 e 3 anos, devido à sua curiosidade oral e imaturidade dos mecanismos de deglutição e proteção das vias aéreas. A rápida identificação e intervenção são cruciais para prevenir complicações graves, como asfixia, pneumonia e bronquiectasias. O quadro clínico típico de ACE é o início súbito de tosse, engasgos e desconforto respiratório em uma criança previamente hígida, sem febre ou outros sintomas infecciosos. Os achados no exame físico podem variar dependendo da localização e grau de obstrução, mas frequentemente incluem sibilância unilateral, diminuição do murmúrio vesicular ou estridor. A radiografia de tórax pode ser normal ou mostrar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, atelectasia ou desvio mediastinal, especialmente em expiração. Diante da forte suspeita clínica, a broncoscopia rígida é o padrão-ouro para o diagnóstico e tratamento da ACE. Ela permite a visualização direta do corpo estranho e sua remoção segura. A administração de broncodilatadores ou corticoides sem a remoção do corpo estranho é inadequada e pode atrasar o tratamento definitivo, piorando o prognóstico. A intervenção precoce é fundamental para evitar complicações respiratórias a longo prazo.
Os sinais incluem início súbito de tosse, engasgos, sibilância, estridor, desconforto respiratório, e cianose. A ausência de febre e pródromos virais é um forte indicativo.
A radiografia pode mostrar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, atelectasia, ou desvio mediastinal. Corpos estranhos radiopacos são visíveis diretamente, mas a maioria é radiotransparente.
A conduta definitiva é a remoção do corpo estranho por broncoscopia rígida, que é tanto diagnóstica quanto terapêutica e deve ser realizada em caráter de urgência.
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