Sibilância Unilateral em Criança: Suspeita de Corpo Estranho

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina, de 4 anos de idade, é levada para consulta de rotina. A mãe relata necessidade de ir ao pronto-socorro diversas vezes nos últimos dois meses por tosse persistente sem febre associada. Em 2 episódios foi feito o diagnóstico de pneumonia bacteriana e iniciado antibiótico, sem melhora dos sintomas. A mãe nega comorbidades e infecções pulmonares prévias. Ao exame físico, a paciente encontra-se em bom estado geral, afebril, com saturação periférica de oxigênio de 95% em ar ambiente, frequência respiratória de 26irpm e frequência cardíaca de 120bpm. O peso e a estatura estão no escore Z +1. A ausculta pulmonar apresenta sibilos expiratórios somente à direita. O restante do exame físico está normal. Foi orientado inicio de corticoide inalatório e retorno em 15 dias. Na reavaliação, a paciente mantém o exame físico pulmonar com sibilos à direita. A mãe traz as radiografias realizadas no pronto-socorro, ambas com a mesma imagem, a seguir: Considerando o exame físico e a radiografia, qual é a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) Deve-se realizar uma tomografia de tórax para avaliar a anatomia broncopulmonar. Na impossibilidade desta esclarecer o diagnóstico, deve-se realizar uma broncoscopia.
  2. B) Pode-se dizer que a paciente apresenta pneumonia recorrente, dada a presença de 2 episódios em menos de um ano. Devem-se investigar imunodeficiências.
  3. C) Dada a sintomatologia respiratória persistente, deve-se investigar a possibilidade de fibrose cística e realizar dosagem de cloro no suor.
  4. D) A doença do refluxo gastroesofágico pode ser a etiologia da sibilância refratária ao tratamento apresentada pela paciente. Deve-se iniciar omeprazol uma vez por dia.

Pérola Clínica

Criança com tosse persistente, sibilância unilateral refratária e pneumonia recorrente unilateral → Suspeitar corpo estranho em vias aéreas.

Resumo-Chave

Sibilância unilateral persistente, tosse crônica e episódios de pneumonia recorrente em uma criança, especialmente com achados radiográficos de hiperinsuflação ou atelectasia unilateral, são altamente sugestivos de aspiração de corpo estranho. A investigação deve progredir para tomografia de tórax e, se necessário, broncoscopia para diagnóstico e remoção.

Contexto Educacional

A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma emergência pediátrica comum, especialmente em crianças pequenas (1 a 3 anos), e pode ter consequências graves se não for diagnosticada e tratada prontamente. Embora o episódio inicial de engasgo possa ser testemunhado, muitas vezes a apresentação é insidiosa, com sintomas respiratórios crônicos ou recorrentes, como tosse persistente, sibilância e pneumonias de repetição. A sibilância unilateral é um sinal de alerta crucial para ACE, pois sugere uma obstrução localizada em uma das vias aéreas. A radiografia de tórax pode ser normal em até 30% dos casos, mas pode revelar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral (devido ao mecanismo de válvula, onde o ar entra mas não sai), atelectasia (obstrução completa) ou desvio de mediastino. A tomografia de tórax pode fornecer mais detalhes anatômicos e identificar corpos estranhos radiotransparentes. Diante de um quadro de tosse persistente, sibilância unilateral refratária ao tratamento convencional e pneumonias recorrentes, a suspeita de ACE deve ser alta. A broncoscopia rígida é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo e a remoção do corpo estranho. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a complicações como bronquiectasias, abscessos pulmonares e insuficiência respiratória crônica.

Perguntas Frequentes

Quais sinais e sintomas sugerem aspiração de corpo estranho em crianças?

Tosse súbita e engasgo são clássicos, mas pode haver tosse persistente, sibilância unilateral, dispneia, cianose e infecções respiratórias recorrentes, como pneumonias.

Qual o papel da radiografia de tórax no diagnóstico de corpo estranho em vias aéreas?

A radiografia pode mostrar sinais indiretos como hiperinsuflação unilateral, atelectasia, desvio de mediastino ou aprisionamento aéreo. Corpos estranhos radiopacos são visíveis diretamente, mas a maioria é radiotransparente.

Quando a broncoscopia é indicada na suspeita de corpo estranho em vias aéreas?

A broncoscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico e remoção de corpo estranho em vias aéreas, sendo indicada quando há alta suspeita clínica, mesmo com exames de imagem inconclusivos, ou para remoção de corpo estranho confirmado.

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