UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menina, 11 meses, previamente hígida, é admitida no Setor de Emergência com história de tosse e "sibilância", há um mês. Durante esse período, foram prescritos: antialérgicos, corticosteroides e antibióticos, sem melhora. Mãe refere que é a primeira vez que apresenta esses sintomas. Questionada sobre o início do quadro, a mãe informou que deixara a menina bem, sem sintomas, brincando no quarto com o irmão de 5 anos e que, cerca de 20 minutos depois, ela ouviu a filha tossindo e "chiando" sem parar. Exame fisico: bom estado geral; discreta taquipneia: sem esforço respiratório; SpQ2 = 97%; sibilos localizados em lobo médio. A conduta mais adequada é:
Sibilância localizada + início súbito em criança previamente hígida = Aspiração de Corpo Estranho até que se prove o contrário.
A tríade clássica de tosse, sibilância e redução de murmúrio vesicular unilateral após episódio de engasgo sugere fortemente aspiração de corpo estranho.
A aspiração de corpo estranho (ACE) é uma causa importante de morbimortalidade em lactentes e pré-escolares. A história clínica de 'evento sentinela' (tosse súbita e sufocação) é o dado mais sensível. O exame físico com sibilos localizados é altamente sugestivo. O atraso no diagnóstico pode levar a complicações como pneumonia obstrutiva, bronquiectasias e abscessos pulmonares. Diante da suspeita clínica, a investigação com imagem ou broncoscopia é mandatória.
A broncoscopia rígida é o padrão-ouro tanto para o diagnóstico definitivo quanto para a remoção terapêutica do corpo estranho em vias aéreas pediátricas.
Radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação localizada (devido ao mecanismo de válvula), atelectasia ou desvio de mediastino. No entanto, uma radiografia normal não exclui o diagnóstico.
Diferente da asma, que é uma doença inflamatória difusa, o corpo estranho causa uma obstrução mecânica fixa em um brônquio específico, gerando ruídos adventícios apenas naquela região.
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