UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Cerca de 1 em cada 10 pacientes diagnosticados com tuberculose pulmonar não tem tuberculose, mas sim aspergilose pulmonar crônica (APC). O quadro clínico e as alterações radiográficas dessas duas doenças muitas vezes são indistinguíveis. O diagnóstico microbiológico é de extrema importância para introdução do tratamento com antifúngico precoce. Desta forma, quais são o método diagnóstico e o tratamento mais adequados para APC?
APC: Sorologia anti-Aspergillus (+) + Imagem compatível → Tratamento: Voriconazol ou Itraconazol.
A Aspergilose Pulmonar Crônica (APC) frequentemente mimetiza a tuberculose. O diagnóstico padrão-ouro baseia-se na detecção de anticorpos IgG anti-Aspergillus e o tratamento de primeira linha é o voriconazol.
A Aspergilose Pulmonar Crônica (APC) é uma infecção fúngica indolente que afeta indivíduos imunocompetentes com doenças pulmonares estruturais prévias, como sequelas de TB, DPOC ou sarcoidose. A fisiopatologia envolve a colonização de cavidades pré-existentes pelo Aspergillus, levando a uma resposta inflamatória crônica. O diagnóstico é desafiador devido à sobreposição clínica com a tuberculose, exigindo alta suspeição clínica e confirmação sorológica. O voriconazol é o antifúngico de escolha devido à sua melhor penetração tecidual e perfil de eficácia em comparação ao itraconazol, embora o monitoramento de efeitos colaterais e interações medicamentosas seja essencial.
A cultura de escarro ou lavado broncoalveolar para Aspergillus possui baixa sensibilidade (cerca de 50%) e pode representar apenas colonização. Já a detecção de anticorpos IgG específicos (sorologia) apresenta sensibilidade superior a 90% em pacientes com a forma crônica da doença, sendo o pilar diagnóstico fundamental junto com a imagem radiológica.
O tratamento da APC é prolongado, geralmente durando no mínimo 6 meses. O objetivo é o controle dos sintomas e a prevenção da progressão da destruição parenquimatosa. Em muitos casos, a terapia pode se estender por anos ou ser intermitente, dependendo da resposta clínica e radiológica do paciente.
Deve-se suspeitar de APC em pacientes com sintomas constitucionais e cavitações pulmonares que apresentam baciloscopia (BAAR) e TRM-TB negativos, ou naqueles que não apresentam melhora clínica após o início do esquema RIPE, especialmente se houver evidência de bola fúngica ou espessamento pleural nas imagens.
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