ABPA: Diagnóstico e Tratamento com Corticoide

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente asmático há longa data, em uso irregular de budesonida inalatória, dá entrada em unidade de emergência com quadro de exacerbação da dispneia por broncoespasmo. O paciente relata episódios de tosse com expectoração viscosa e hemoptise. Os exames laboratoriais mostram eosinofilia (1.500/mm³) e aumento significativo dos níveis de lgE (acima de 1000ng/ml). Uma telerradiografia de tórax sugere a presença de bronquiectasias centrais e infiltrados em lobos superiores. O tratamento adequado dessa condição geralmente requer o uso prolongado de:

Alternativas

  1. A) Anfotericina B.
  2. B) Albendazol.
  3. C) Corticoide.
  4. D) Infliximab.

Pérola Clínica

ABPA: Asma + Eosinofilia + IgE ↑ + Bronquiectasias centrais → Corticoide oral prolongado.

Resumo-Chave

A Aspergilose Broncopulmonar Alérgica (ABPA) é uma condição complexa que afeta pacientes asmáticos, caracterizada por uma resposta imune exagerada ao Aspergillus fumigatus. O tratamento principal envolve corticosteroides orais prolongados para controlar a inflamação e prevenir danos pulmonares progressivos.

Contexto Educacional

A Aspergilose Broncopulmonar Alérgica (ABPA) é uma doença pulmonar inflamatória complexa que ocorre em pacientes com asma ou fibrose cística, caracterizada por uma resposta imune exagerada ao fungo Aspergillus fumigatus. A epidemiologia da ABPA é significativa, afetando uma parcela considerável de pacientes com asma grave, e seu reconhecimento é crucial para prevenir danos pulmonares irreversíveis. A condição se manifesta com exacerbações de asma, tosse produtiva, expectoração de plugs mucosos e, por vezes, hemoptise. O diagnóstico da ABPA baseia-se em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais e radiológicos. Os principais marcadores incluem asma de difícil controle, eosinofilia periférica, níveis elevados de IgE total sérica (geralmente > 1000 UI/mL), presença de anticorpos IgE e IgG específicos para Aspergillus fumigatus, e achados de imagem como bronquiectasias centrais e infiltrados pulmonares transitórios ou persistentes. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória tipo Th2 intensa, levando à lesão brônquica e obstrução das vias aéreas. O tratamento da ABPA visa controlar a inflamação e prevenir a progressão da doença. A terapia principal consiste no uso prolongado de corticosteroides orais, como a prednisona, que reduzem a inflamação e a produção de muco. Agentes antifúngicos, como o itraconazol, podem ser adicionados para diminuir a carga fúngica e permitir a redução da dose de corticoides. O manejo adequado é essencial para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes, minimizando o risco de fibrose pulmonar e insuficiência respiratória.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para ABPA?

Os critérios incluem asma, eosinofilia periférica, IgE total sérica elevada, anticorpos séricos IgG e IgE específicos para Aspergillus fumigatus, infiltrados pulmonares e bronquiectasias centrais na tomografia de tórax.

Por que o corticoide é o tratamento principal na ABPA?

Os corticosteroides orais são a base do tratamento da ABPA porque suprimem a resposta inflamatória alérgica e imunológica aos antígenos fúngicos, reduzindo a lesão pulmonar e melhorando a função respiratória. O tratamento é geralmente prolongado.

Quais são as complicações da ABPA não tratada?

A ABPA não tratada pode levar à fibrose pulmonar progressiva, destruição brônquica com bronquiectasias extensas, insuficiência respiratória crônica e cor pulmonale, impactando significativamente a qualidade de vida e a sobrevida do paciente.

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