CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2021
Paciente masculino, 35 anos, portador do vírus HIV em tratamento irregular, é atendido no Pronto Socorro com quadro de hemoptise de pequeno volume de início há 1 hora, associada a tosse produtiva, febre vespertina diária e perda de peso (6 kg) nos últimos 3 meses. Nega outras comorbidades. Nega tabagismo ou uso ilícito de drogas. Após medidas de suporte iniciais, foi submetido a uma tomografia computadorizada do tórax sem contraste, representada a seguir:Diante dos dados clínicos e imagem tomográfica, qual a principal hipótese diagnóstica?
Paciente HIV com cavidade pulmonar e bola fúngica na TC → Aspergiloma, especialmente com hemoptise.
O aspergiloma é uma bola fúngica que se forma em cavidades pulmonares pré-existentes, comum em pacientes imunocomprometidos como os portadores de HIV. A hemoptise é um sintoma frequente e a imagem tomográfica com uma massa intracavitária móvel (sinal do crescente aéreo) é altamente sugestiva.
O aspergiloma pulmonar é uma condição causada pela colonização de uma cavidade pulmonar pré-existente por espécies de Aspergillus, mais comumente Aspergillus fumigatus. É uma infecção fúngica oportunista que afeta principalmente pacientes com doenças pulmonares estruturais subjacentes, como tuberculose, sarcoidose, bronquiectasias ou, como no caso, imunocomprometidos como portadores do vírus HIV. A hemoptise é o sintoma mais comum e pode variar de leve a maciça, sendo uma causa importante de morbidade e mortalidade. A fisiopatologia envolve a inalação de esporos de Aspergillus que se alojam em cavidades pulmonares. A bola fúngica é composta por hifas fúngicas, muco, fibrina e debris celulares. O diagnóstico é fortemente sugerido pela combinação de quadro clínico (hemoptise, tosse, perda de peso) e achados radiológicos, especialmente na tomografia computadorizada de tórax, que mostra uma massa intracavitária com o característico sinal do crescente aéreo. A cultura de escarro pode ser positiva para Aspergillus, mas não é diagnóstica de aspergiloma invasivo, e a sorologia para anticorpos anti-Aspergillus pode ser útil. O tratamento do aspergiloma depende da gravidade dos sintomas e da presença de complicações. Em casos assintomáticos ou com sintomas leves, pode-se optar por observação. Para hemoptise significativa ou progressão da doença, a ressecção cirúrgica é o tratamento de escolha, quando viável. Antifúngicos azólicos (como itraconazol ou voriconazol) podem ser usados, mas sua eficácia na erradicação da bola fúngica é limitada, sendo mais úteis no controle de sintomas ou em casos de doença invasiva associada. O manejo da imunossupressão subjacente, como o tratamento antirretroviral em pacientes com HIV, é crucial.
Os sintomas mais comuns do aspergiloma pulmonar incluem hemoptise (que pode ser grave), tosse crônica, dor torácica e, em alguns casos, febre e perda de peso. Estes sintomas são inespecíficos e podem mimetizar outras condições pulmonares.
A tomografia computadorizada do tórax é fundamental, revelando uma massa arredondada ou ovalada (bola fúngica) dentro de uma cavidade pulmonar pré-existente. O 'sinal do crescente aéreo' (air crescent sign) é patognomônico, indicando ar entre a massa fúngica e a parede da cavidade.
Pacientes com HIV, especialmente aqueles com imunossupressão significativa ou tratamento irregular, são mais suscetíveis a infecções oportunistas, incluindo as fúngicas. Cavidades pulmonares pré-existentes, muitas vezes decorrentes de tuberculose prévia, favorecem a colonização por Aspergillus e a formação de aspergilomas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo