Asma Persistente Infantil: Tratamento com Corticoide Inalatório

HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023

Enunciado

Sandro, quatro anos, vem apresentando crises de sibilância desde os seis meses de vida. Na primeira crise, foi internado por uma semana e fez uso de medicações por via inalatória e intravenosa. As crises vêm se repetindo aproximadamente de três em três meses, sempre acompanhadas de quadro de virose, necessitando ficar em observação clínica em unidades de pronto-atendimento. Nos últimos meses, vem repetindo a crise mensalmente e é medicado pela mãe com salbutamol e prednisolona oral. A mãe observa que a tosse ocorre quando corre e ri. O pai teve crises de bronquite até dez anos de idade e o irmão do Sandro, com um ano de vida, apresenta dermatite atópica. O exame físico mostra bom estado geral; FR: 25irpm, eupneico, oximetria de pulso 96%; ausculta respiratória sem alterações. Considerando o caso descrito, assinale a MELHOR conduta no tratamento de Sandro

Alternativas

  1. A) Corticoide sistêmico.
  2. B) Corticoide inalatório.
  3. C) Beta 2-agonista inalatório de ação curta.
  4. D) Corticoide inalatório associado a beta 2 inalatório de ação prolongada.

Pérola Clínica

Sibilância recorrente > 3x/mês, história familiar de atopia e sintomas de esforço (correr/rir) → asma persistente, indicar corticoide inalatório.

Resumo-Chave

Sandro apresenta um quadro de asma persistente moderada, caracterizado por crises frequentes (mensais), necessidade de corticoide oral e sintomas desencadeados por exercício (tosse ao correr e rir), além de fatores de risco como história familiar de atopia. A melhor conduta para o controle a longo prazo da asma persistente é o uso regular de corticoide inalatório.

Contexto Educacional

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução variável do fluxo aéreo, que é reversível espontaneamente ou com tratamento. Em crianças, a sibilância recorrente é o principal sintoma, e a história clínica de Sandro, com crises mensais, necessidade de corticoide oral e sintomas desencadeados por esforço, além de história familiar de atopia, é altamente sugestiva de asma persistente. A classificação da asma em intermitente, persistente leve, moderada ou grave orienta o tratamento. Sandro se encaixa em asma persistente moderada, devido à frequência das crises e à necessidade de corticoide oral. O objetivo do tratamento de manutenção é controlar a inflamação subjacente e prevenir as exacerbações. A melhor conduta para o controle da asma persistente em crianças é o uso regular de corticoide inalatório, que atua localmente nas vias aéreas, reduzindo a inflamação e a hiperresponsividade. Beta 2-agonistas de curta ação (como salbutamol) são apenas para alívio rápido dos sintomas. Corticoides sistêmicos são reservados para crises agudas. A associação com beta 2-agonistas de ação prolongada é considerada para asma persistente grave ou não controlada com corticoide inalatório em dose média/alta.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar a asma como persistente em crianças?

A asma é classificada como persistente quando há sintomas mais de duas vezes por semana, ou mais de duas crises por mês, despertares noturnos frequentes, necessidade de beta-2 agonista de curta ação mais de duas vezes por semana, e/ou limitações na atividade.

Por que o corticoide inalatório é a melhor conduta para asma persistente?

O corticoide inalatório é a medicação de primeira linha para o controle da asma persistente porque atua diretamente na inflamação crônica das vias aéreas, reduzindo a frequência e a gravidade das crises e melhorando a função pulmonar.

Quais são os principais desencadeantes das crises de asma em crianças?

Os desencadeantes comuns incluem infecções virais respiratórias, alérgenos (ácaros, pólen, pelos de animais), fumaça de cigarro, poluição do ar, exercício físico e mudanças climáticas.

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