FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Criança de 3 anos, feminino, vem apresentando resfriados recorrentes caracterizados por coriza espirros, congestão e prurido nasal, que evoluem às vezes com muita tosse e chiado no peito. Mãe relata que os episódios se iniciaram depois que começou a frequentar creche aos 8 meses de idade e nos últimos meses vem notando que a criança faz um barulho estranho no peito e tem crise de tosse quando dá gargalhada ou chora muito. De antecedentes pessoais, refere episódio de Bronquiolite viral aguda grave aos 9 meses, com necessidade de hospitalização e suporte ventilatório, com painel viral positivo para rinovírus. Refere ainda que há um mês teve que procurar a UPA porque teve crise intensa de tosse e ficou com respiração ofegante, mas melhorou rapidamente após a administração de doses de Salbutamol em spray. Mãe relata que passou por pediatra especialista em doenças respiratórias que não observou alterações ao exame físico e solicitou exames investigatórios que estavam normais. O diagnóstico clínico mais provável é:
Sibilância recorrente + gatilhos (riso/choro) + resposta a BD = Asma Persistente.
O diagnóstico de asma em pré-escolares é clínico, baseado na recorrência de episódios obstrutivos, presença de gatilhos não virais e resposta positiva a broncodilatadores.
O manejo da sibilância na infância requer uma abordagem sistemática para diferenciar condições autolimitadas de doenças crônicas como a asma. A história clínica é o pilar principal, devendo-se investigar a idade de início, a frequência das crises, a gravidade (necessidade de hospitalização) e a presença de sintomas noturnos ou desencadeados por atividades cotidianas. No caso descrito, a criança apresenta múltiplos fatores de risco e sinais de alerta: sibilância após riso/choro, resposta rápida ao salbutamol e história de bronquiolite grave por rinovírus (que é um fator de risco maior para o desenvolvimento de asma do que o VSR). O diagnóstico de asma persistente permite o início de corticoterapia inalatória, que é o tratamento de escolha para o controle da inflamação brônquica e redução da morbidade.
A diferenciação baseia-se na frequência dos episódios, na presença de gatilhos e no histórico familiar. A sibilância transitória geralmente está associada apenas a infecções virais e tende a desaparecer após os 3 anos. Já a asma persistente apresenta sintomas entre os episódios virais, gatilhos como fumaça, riso, choro ou exercício, e frequentemente está associada à atopia (rinite, dermatite) ou histórico parental de asma. O Índice Preditivo de Asma (IPA) é uma ferramenta útil que utiliza critérios maiores e menores para estimar o risco de a criança permanecer asmática na idade escolar.
A melhora clínica rápida após a administração de um broncodilatador de curta ação (como o Salbutamol) é um forte indicador de asma. Isso demonstra que a obstrução das vias aéreas é reversível, uma característica fisiopatológica central da asma. Em crianças pequenas, onde a espirometria é difícil de realizar, a prova terapêutica positiva com broncodilatadores ou corticosteroides inalatórios é frequentemente utilizada como critério diagnóstico para confirmar a hiperresponsividade brônquica.
A síndrome do bebê chiador, ou lactente chiador, é um termo genérico para crianças que apresentam sibilância contínua ou recorrente nos primeiros dois anos de vida. Pode ser classificada em chiadores transitórios, chiadores persistentes (não atópicos) e chiadores atópicos (asmáticos). O desafio clínico é identificar precocemente aqueles que evoluirão para asma persistente, iniciando o tratamento preventivo adequado para evitar a remodelação das vias aéreas e melhorar a qualidade de vida da criança.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo