UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Criança asmática de 6 anos não faz uso de nenhuma medicação contínua. No último mês, acordou pelo menos duas vezes com crise de falta de ar que melhora com administração de salbutamol em casa. Pela terceira vez em uma semana, é levada à emergência por crise de tosse e dispneia. Ao exame, está em bom estado geral, com FR = 32irpm, SatO₂ = 94%, apresentando sibilos difusos à ausculta respiratória e tiragem subcostal leve. Houve melhora clínica satisfatória, no hospital, após o uso de salbutamol por duas vezes, com intervalo de 20min entre as doses. Nesse caso, a conduta para terapia domiciliar, de uso diário e contínuo, deve ser:
Asma persistente em criança → Corticoide inalatório em dose baixa como terapia de controle diário.
A criança apresenta critérios de asma persistente (sintomas noturnos > 2x/mês, sintomas diurnos > 2x/semana, exacerbações). Nesses casos, a terapia de controle diário com corticoide inalatório em dose baixa é a conduta padrão para reduzir a inflamação das vias aéreas e prevenir crises.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, comum na infância, caracterizada por episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse, particularmente à noite ou pela manhã. A classificação da asma (intermitente, persistente leve, moderada ou grave) é crucial para guiar o tratamento, sendo baseada na frequência e intensidade dos sintomas diurnos e noturnos, uso de medicação de resgate e limitações de atividade. O diagnóstico e manejo adequados são essenciais para prevenir exacerbações e garantir uma boa qualidade de vida para a criança. A fisiopatologia da asma envolve inflamação crônica das vias aéreas, hiperresponsividade brônquica e obstrução variável do fluxo aéreo. Em casos de asma persistente, como o descrito na questão, a inflamação é contínua, mesmo na ausência de sintomas agudos. O tratamento de controle visa reduzir essa inflamação e prevenir crises. A avaliação do controle da asma deve ser feita regularmente, e a adesão à medicação de controle é um fator determinante para o sucesso terapêutico. Para asma persistente, o tratamento de primeira linha é o corticoide inalatório em dose baixa, que atua localmente nas vias aéreas, minimizando efeitos sistêmicos. A medicação de resgate, como o salbutamol, é usada para alívio rápido dos sintomas. É fundamental educar os pais e a criança sobre a importância do uso diário e contínuo da medicação de controle, mesmo na ausência de sintomas, para evitar a progressão da doença e reduzir a necessidade de visitas à emergência.
A asma é classificada como persistente em crianças quando há sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, sintomas noturnos mais de duas vezes por mês, uso de medicação de resgate mais de duas vezes por semana ou limitações de atividade.
O corticoide inalatório é a primeira linha porque atua diretamente na inflamação das vias aéreas, que é a base da asma. Ele reduz a hiperresponsividade brônquica, diminui a frequência e gravidade das crises e melhora a função pulmonar.
O salbutamol é um agonista beta-2 de curta ação, utilizado como medicação de resgate para alívio rápido dos sintomas agudos da asma, como broncoespasmo. Ele não trata a inflamação subjacente e seu uso frequente indica controle inadequado da doença.
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