Asma Persistente: Tratamento com Corticoides Inalatórios

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021

Enunciado

João de 14 anos procura o médico de família e comunidade para ''mostrar exames''. O exame foi solicitado anteriormente, pois João apresentou no último ano quatro episódios de crises de falta de ar, tosse e chiado no peito, predominantemente à noite. Refere que costumava ter episódios semelhantes desde a infância, mas muito raramente, porém no último ano apresentou um episódio há aproximadamente cada três meses. Ao avaliar o exame, o médico de família e comunidade constata que se trata de espirometria mostrando distúrbio ventilatório obstrutivo leve com resposta a prova broncodilatadora. Marque a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O tratamento de escolha é o uso de corticoides inalatórios.
  2. B) O tratamento de escolha é o uso de beta agonistas de ação longa para evitar o desenvolvimento de dependência medicamentosa.
  3. C) O tratamento de escolha é o uso de beta agonistas de ação curta apenas durante as crises.
  4. D) Não deve ser utilizado tratamento medicamentoso, mas apenas orientação para evitar o contato com substâncias alergênicas.

Pérola Clínica

Asma persistente (sintomas noturnos, >2x/mês) + espirometria obstrutiva reversível → Corticoide inalatório é tratamento de escolha.

Resumo-Chave

O quadro clínico de crises recorrentes de falta de ar, tosse e chiado no peito, predominantemente à noite, associado a uma espirometria com distúrbio ventilatório obstrutivo reversível, é diagnóstico de asma. Como os episódios ocorrem com frequência (a cada 3 meses no último ano, e noturnos), trata-se de asma persistente, cujo tratamento de escolha são os corticoides inalatórios para controle da inflamação.

Contexto Educacional

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e limitação variável do fluxo aéreo, resultando em sintomas como chiado, tosse, dispneia e aperto no peito. É uma das doenças crônicas mais comuns na infância e adolescência, com impacto significativo na qualidade de vida e na saúde pública. O reconhecimento e manejo adequados da asma são competências essenciais para médicos generalistas e especialistas, sendo um tema frequente em provas de residência. O diagnóstico da asma é clínico-funcional. A história de sintomas recorrentes, especialmente noturnos ou desencadeados por alérgenos/exercícios, é fundamental. A espirometria com prova broncodilatadora é o exame padrão-ouro para confirmar a obstrução e sua reversibilidade. A presença de um distúrbio ventilatório obstrutivo (redução da relação FEV1/CVF) que melhora significativamente após a inalação de um broncodilatador (aumento de FEV1 >12% e >200 mL) é diagnóstica. A classificação da asma em intermitente ou persistente (leve, moderada, grave) guia a escolha terapêutica. O tratamento da asma visa o controle dos sintomas e a prevenção de exacerbações. Para a asma persistente, os corticoides inalatórios (CI) são a terapia de primeira linha e o pilar do tratamento, atuando na inflamação subjacente. Eles devem ser usados regularmente, mesmo na ausência de sintomas. Os beta-agonistas de ação curta (SABA) são usados como medicação de alívio para as crises. Em casos de asma persistente não controlada com CI em dose baixa, pode-se escalar para CI em dose média ou adicionar um beta-agonista de ação longa (LABA). A educação do paciente sobre a doença e o uso correto dos inaladores é crucial para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de asma em adolescentes?

O diagnóstico de asma em adolescentes baseia-se na presença de sintomas respiratórios recorrentes (chiado, tosse, dispneia, aperto no peito), especialmente noturnos ou desencadeados por exercícios, e na demonstração de limitação variável do fluxo aéreo, geralmente confirmada por espirometria com prova broncodilatadora positiva.

Por que os corticoides inalatórios são o tratamento de escolha para a asma persistente?

Os corticoides inalatórios (CI) são o tratamento de escolha para a asma persistente porque atuam diretamente na inflamação crônica das vias aéreas, que é a base da doença. Eles reduzem a hiperresponsividade brônquica, a frequência e a gravidade das exacerbações, e melhoram a função pulmonar, sendo a terapia mais eficaz para o controle a longo prazo.

Como a espirometria auxilia no diagnóstico e manejo da asma?

A espirometria é crucial para objetivar a limitação do fluxo aéreo e sua reversibilidade. Um distúrbio ventilatório obstrutivo (FEV1/CVF reduzido) com melhora significativa do FEV1 após broncodilatador confirma a reversibilidade, característica da asma. Ela também ajuda a classificar a gravidade e monitorar a resposta ao tratamento.

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