USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Mulher de 22 anos de idade trabalha como auxiliar de limpeza em um grande hospital há 2 anos. Hoje procura ambulatório de clínica médica pois há 6 meses apresenta episódios de tosse e, às vezes, falta de ar durante o dia, que costumam melhorar à noite. Estes episódios estão se tornando mais frequentes. Não costuma apresentar tais sintomas aos finais de semana. Não sabe referir se teve febre. Nega antecedentes mórbidos relevantes e nunca fumou. Ao exame clínico presença de discretos sibilos expiratórios à ausculta pulmonar, sem outras alterações relevantes. A radiografia de tórax realizada há 15 dias é apresentada. Qual é a conduta, considerando a principal hipótese diagnóstica?
Asma ocupacional → sintomas laborais, melhora fins de semana, diagnóstico por monitoramento PEF no trabalho/casa.
A asma ocupacional é uma doença respiratória induzida por exposição a agentes no ambiente de trabalho, com sintomas que melhoram fora dele. O monitoramento do Pico de Fluxo Expiratório (PEF) no trabalho e em casa é crucial para demonstrar a variabilidade e a relação com a exposição, confirmando o diagnóstico.
A asma ocupacional é uma doença pulmonar inflamatória das vias aéreas, caracterizada por obstrução variável ao fluxo aéreo e/ou hiperresponsividade brônquica, causada por agentes ou condições presentes no ambiente de trabalho. É uma das doenças respiratórias ocupacionais mais comuns e representa um desafio diagnóstico devido à sua apresentação clínica inespecífica e à necessidade de correlacionar os sintomas com a exposição laboral. A identificação precoce é crucial para evitar a progressão da doença e o desenvolvimento de danos pulmonares irreversíveis. A fisiopatologia envolve mecanismos imunológicos (sensibilização a alérgenos) ou não imunológicos (irritantes, agentes farmacológicos). O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, que deve incluir a relação temporal dos sintomas com o trabalho, e em testes objetivos. O monitoramento do Pico de Fluxo Expiratório (PEF) no trabalho e em casa é a ferramenta mais prática e eficaz para demonstrar a variabilidade da função pulmonar e sua relação com a exposição ocupacional. Uma queda significativa do PEF durante o período de trabalho, com melhora nos dias de folga, é altamente sugestiva. A conduta inicial, após a suspeita clínica, é a confirmação diagnóstica através do monitoramento do PEF. Uma vez confirmado, o afastamento do agente causal é a medida mais importante para prevenir a progressão da doença. O tratamento farmacológico é semelhante ao da asma não ocupacional, com broncodilatadores e corticosteroides inalatórios, mas a remoção da exposição é fundamental para um bom prognóstico. A educação do paciente sobre a doença e a importância da adesão ao tratamento e às medidas de proteção é essencial.
Os sintomas da asma ocupacional incluem tosse, sibilância, dispneia e aperto no peito, que pioram durante a jornada de trabalho e melhoram nos fins de semana ou férias, sugerindo uma relação causal com o ambiente laboral.
O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico e, principalmente, pelo monitoramento do Pico de Fluxo Expiratório (PEF) no ambiente de trabalho e em casa, buscando uma variabilidade significativa que correlacione os sintomas com a exposição ocupacional. Testes de broncoprovocação específicos também podem ser usados.
O monitoramento do PEF permite quantificar a obstrução das vias aéreas e sua variabilidade ao longo do dia e da semana, estabelecendo a relação temporal entre a exposição no trabalho e a piora da função pulmonar, essencial para o diagnóstico e manejo da asma ocupacional.
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