UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Mulher, 48 anos de idade, apresenta episódios de tosse seca e dispneia há nove meses, após entrar na menopausa. Os sintomas melhoram com salbutamol spray. Ela foi fumante por seis meses na juventude e nega doenças respiratórias prévias. Trabalha em empresa de limpeza há mais de dez anos. A ausculta pulmonar revela raros sibilos. Radiografia de tórax: sinais de hiperinsuflação. Hemograma: hemoglobina = 13 g/dL, hematócrito = 42%, leucócitos = 7.000/mm³ (neutrófilos 70%, linfócitos = 20%, eosinófilos = 2%, monócitos = 8%). Dosagem sérica de IgE total = 20 UI/mL (VR até 100) e as pesquisas de IgE específica para ácaros, poeira doméstica e pêlos de animais foram negativas. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sintomas respiratórios de início na vida adulta com melhora no afastamento laboral = Asma Ocupacional.
A asma ocupacional deve ser suspeitada em adultos com sintomas de início recente, especialmente quando há exposição a agentes irritantes ou sensibilizantes no ambiente de trabalho.
A asma ocupacional é a doença respiratória ocupacional mais comum em países desenvolvidos. Ela pode ser dividida em asma induzida por sensibilizantes (com período de latência e mecanismo imunológico) e asma induzida por irritantes (como a Síndrome da Disfunção Reativa das Vias Aéreas - RADS). No caso clínico, a paciente trabalha com limpeza (exposição a irritantes), apresenta IgE total normal e testes para alérgenos comuns negativos, o que afasta o fenótipo de asma alérgica extrínseca e reforça a etiologia ocupacional.
A suspeita clínica baseia-se no início da asma na idade adulta, ausência de história prévia de atopia e, crucialmente, a relação temporal dos sintomas com o trabalho (piora durante a jornada e melhora em períodos de afastamento).
O padrão-ouro é o teste de provocação brônquica específica, mas na prática utiliza-se a monitorização do Pico de Fluxo Expiratório (PFE) seriado, realizado várias vezes ao dia dentro e fora do ambiente de trabalho por 2 a 3 semanas.
A asma ocupacional é causada especificamente por agentes do ambiente laboral. A asma agravada pelo trabalho ocorre quando um paciente que já possui asma prévia apresenta piora dos sintomas devido a estímulos inespecíficos no trabalho (frio, poeira, esforço).
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