ISMEP - Instituto de Saúde e Medicina de Brasília (DF) — Prova 2023
Uma paciente de 25 anos de idade procurou atendimento ambulatorial para mostrar o resultado da monitorização do exame de peak-flow semanal, o qual revelou variações diárias acima de 30% quando no trabalho, e nenhuma variação quando afastada do trabalho. Na ficha médica da paciente, havia a informação de quadro de tosse associada a chiados no peito e dispneia há 1 mês. A paciente trabalhava há 6 meses como cabeleireira. Nunca fumou. Nada foi encontrado no exame físico. A prova de função pulmonar revelou-se sem alterações.A respeito desse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Variação diária de peak-flow > 20% no trabalho vs. fora do trabalho = diagnóstico de asma ocupacional.
A monitorização seriada do peak-flow, com registro das variações diárias no ambiente de trabalho e fora dele, é uma ferramenta diagnóstica valiosa e muitas vezes suficiente para confirmar a asma ocupacional, especialmente quando há uma clara correlação temporal com a exposição.
A asma ocupacional é uma doença pulmonar comum, caracterizada por obstrução variável do fluxo aéreo e/ou hiperresponsividade brônquica, causada por agentes ou condições presentes no ambiente de trabalho. É crucial para residentes reconhecerem sua importância, pois o diagnóstico precoce e a remoção da exposição podem prevenir danos pulmonares irreversíveis. Profissões como cabeleireiros, padeiros e trabalhadores da indústria química estão em risco devido à exposição a sensibilizantes. O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, que revela a relação temporal entre os sintomas e a exposição ocupacional. A monitorização do peak-flow é uma ferramenta diagnóstica de baixo custo e alta sensibilidade. Variações diárias do PFE acima de 20% ou 30% entre os dias de trabalho e os dias de folga são altamente sugestivas. Embora a prova de função pulmonar possa ser normal fora do período de exposição, a monitorização seriada do PFE capta a variabilidade característica da doença. O manejo da asma ocupacional envolve primariamente a identificação e eliminação ou redução da exposição ao agente causal. O tratamento farmacológico é semelhante ao da asma não ocupacional, com broncodilatadores e corticosteroides inalatórios. A educação do paciente e a colaboração com a saúde ocupacional são essenciais para um bom prognóstico e para evitar a progressão da doença.
Os sintomas incluem tosse, chiado no peito, dispneia e aperto no peito, que pioram durante o período de trabalho ou após a exposição a agentes específicos e melhoram nos fins de semana ou férias, sugerindo uma relação causal com o ambiente ocupacional.
A monitorização do peak-flow (PFE) em casa e no trabalho, por várias semanas, permite identificar variações diárias significativas (geralmente >20-30%) que se correlacionam com a exposição ocupacional. Uma melhora acentuada fora do trabalho e piora durante o trabalho é altamente sugestiva.
A prova de broncoprovocação é considerada quando a monitorização do peak-flow e a história clínica não são conclusivas. Pode ser realizada com metacolina ou, idealmente, com o agente suspeito no ambiente controlado, para confirmar a hiperresponsividade brônquica ou a sensibilidade ao agente.
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