Asma Não Controlada e Crise: Manejo em Pediatria

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Moana, 12 anos, comparece a UBS acompanhada da mãe, relatando que a bombinha para asma não está mais funcionando. Moana tem asma diagnosticada desde os 9 anos, na ocasião com espirometria normal. Nunca esteve internada e vinha fazendo uso de salbutamol nas crises cerca de 2 vezes por mês. Há cerca de 6 semanas vem se queixando de tosse e chiado no peito quase diariamente, com uso de salbutamol 3 vezes por dia em dias alternados. Não sente limitação para as atividades físicas e nega despertares noturnos. No momento da consulta, Moana está em bom estado geral, afebril, FC = 80 bpm, levemente taquipneica (FR = 31 mrpm), sem presença de tiragens ou sinais de esforço respiratório, com sibilos difusos, sem dificuldade para falar. A respeito da conduta frente a esse caso, é correto afirmar que ela tem asma:

Alternativas

  1. A) Não controlada e se apresenta com uma crise grave neste momento. Após controle da crise, é desnecessário avaliar a forma de uso do Beta 2 agonista, pois deve ser introduzido corticosteroide oral e inalatório com objetivo de reduzir recidiva dos sintomas e internações. Orientações sobre mudança ambiental sempre devem ser feitas nesses casos.
  2. B) Não controlada e se apresenta com uma crise leve-moderada neste momento. Após controle da crise, é necessária a avaliação do modo de uso do Beta 2 agonista, pois o mesmo será mantido por 48 horas e acrescido de corticosteroide oral por 3 a 7 dias, com objetivo de reduzir recidiva dos sintomas e internações. Não devem ser feitos ajustes no tratamento de base nesse momento e um retorno precoce após 2 dias, é indicado.
  3. C) Parcialmente controlada e se apresenta com uma crise grave neste momento. É desnecessário avaliar a forma de uso do Beta 2 agonista neste momento, pois deve ser ajustado o tratamento de base e introduzido corticosteroide inalatório contínuo como objetivo de reduzir recidiva dos sintoma e internações. Corticosteroide oral deve ser evitado e orientações sobre mudança ambiental sempre devem ser feitas nesses casos.
  4. D) Parcialmente controlada e se apresenta com uma crise leve-moderada. É necessária a avaliação do modo de uso do Beta 2 agonista, pois o mesmo será mantido por 48 horas e acrescido de corticosteroide oral por 3 a 7 dias, com objetivo de reduzir recidivados sintoma e internações. O tratamento de base deve ser ajustado e um retorno em 1 semana é indicado.

Pérola Clínica

Asma não controlada + crise leve-moderada → Beta-2 agonista + corticoide oral + ajuste tratamento de base.

Resumo-Chave

A paciente apresenta asma não controlada (sintomas quase diários, uso frequente de resgate) e uma crise leve-moderada (FR 31, sibilos, sem esforço respiratório grave). O manejo inclui tratamento da crise com broncodilatador e corticoide oral, além de ajuste do tratamento de manutenção e reavaliação precoce.

Contexto Educacional

A asma é uma doença crônica comum na infância, e seu manejo adequado é fundamental para prevenir exacerbações e garantir boa qualidade de vida. A avaliação do controle da asma e a identificação da gravidade das crises são etapas cruciais para guiar a conduta terapêutica, conforme as diretrizes nacionais e internacionais (como a GINA). A paciente Moana apresenta critérios de asma não controlada, com sintomas quase diários e uso frequente de salbutamol nas últimas 6 semanas. Embora não tenha despertares noturnos ou limitação de atividades físicas, a frequência dos sintomas diurnos e do uso de medicação de resgate já a classifica como não controlada. A crise atual, com taquipneia leve (FR 31 para 12 anos é elevada, mas sem esforço respiratório grave) e sibilos difusos, sem dificuldade para falar, sugere uma crise leve-moderada. A conduta para uma crise de asma leve-moderada inclui a manutenção do beta-2 agonista (salbutamol) por 48 horas e a introdução de corticosteroide oral por 3 a 7 dias para reduzir a inflamação e prevenir recidivas. Além disso, é imperativo ajustar o tratamento de base da asma, que provavelmente necessita de um passo acima na escada terapêutica (ex: aumento da dose de corticosteroide inalatório ou adição de outro controlador). Um retorno precoce é indicado para reavaliar o controle e a adesão ao novo plano terapêutico.

Perguntas Frequentes

Como classificar o controle da asma em crianças?

O controle da asma é avaliado pela frequência de sintomas diurnos, despertares noturnos, necessidade de medicação de resgate e limitação de atividades. Sintomas quase diários e uso frequente de salbutamol indicam asma não controlada.

Qual a conduta inicial para uma crise de asma leve-moderada em crianças?

A conduta inicial inclui a administração de beta-2 agonista de curta ação (ex: salbutamol) e corticosteroide oral (ex: prednisona) por 3 a 7 dias. É crucial reavaliar o tratamento de manutenção após o controle da crise.

Quando é necessário ajustar o tratamento de base da asma?

O tratamento de base da asma deve ser ajustado quando a asma está não controlada, ou seja, quando o paciente apresenta sintomas frequentes, despertares noturnos ou necessidade de uso de medicação de resgate, mesmo fora das crises agudas.

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