UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Homem, 37a, procura atendimento na Unidade Básica de Saúde com queixa de tosse seca e chiado no peito. Estes episódios ocorrem de quatro a cinco vezes por semana, nos últimos três meses, não relacionados aos exercícios. Durante as crises, tem melhora com o uso de salbutamol. Antecedentes pessoais: asma, em uso de budesonida inalatória diariamente. Exame físico: T=36,4ºC; FR=16irpm; oximetria de pulso=96% (ar ambiente). Pulmões: murmúrio vesicular presente bilateralmente com sibilos expiratórios. A CONDUTA É:
Asma não controlada com CI diário → associar LABA (Formoterol) para otimizar controle e reduzir sintomas.
Pacientes com asma em uso de corticosteroide inalatório diário que persistem com sintomas frequentes (4-5x/semana) e necessidade de beta-agonista de curta duração, indicam asma não controlada. A conduta correta, conforme as diretrizes GINA, é associar um beta-agonista de longa duração (LABA), como o formoterol, ao CI.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de pessoas globalmente, caracterizada por sintomas respiratórios variáveis e limitação do fluxo aéreo. O manejo da asma visa o controle dos sintomas e a prevenção de exacerbações, sendo guiado por diretrizes internacionais como as da GINA (Global Initiative for Asthma). A identificação de asma não controlada, mesmo em pacientes em uso de terapia de manutenção, é um desafio comum na prática clínica e um ponto crucial em questões de residência. A fisiopatologia da asma envolve inflamação crônica das vias aéreas, hiperresponsividade brônquica e remodelamento das vias aéreas. O tratamento de manutenção se baseia em corticosteroides inalatórios (CI) para controlar a inflamação. Quando um paciente em uso diário de CI apresenta sintomas frequentes (mais de 2 vezes por semana) e necessidade de beta-agonista de curta duração (SABA) para alívio, isso indica um controle inadequado da doença. Nesses casos, a estratégia é escalonar o tratamento. A conduta recomendada para asma não controlada em pacientes já em uso de CI é a adição de um beta-agonista de longa duração (LABA), como o formoterol, formando uma terapia combinada CI/LABA. Essa combinação otimiza a broncodilatação e o controle da inflamação, melhorando significativamente o controle dos sintomas e a qualidade de vida do paciente. Outras opções, como corticosteroides orais ou tiotrópio, são reservadas para casos mais graves ou refratários, após a otimização da terapia CI/LABA, sendo importante conhecer a sequência de escalonamento para um manejo eficaz e seguro.
A asma é considerada não controlada quando o paciente apresenta sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertares noturnos devido à asma, necessidade de medicação de alívio mais de duas vezes por semana, ou limitação da atividade devido à asma. A presença de um ou mais desses fatores indica controle inadequado.
A associação de um LABA (como formoterol) a um corticosteroide inalatório (CI) é a conduta preferencial porque os LABAs proporcionam broncodilatação prolongada, melhorando o controle dos sintomas e a função pulmonar, enquanto o CI trata a inflamação subjacente. Essa combinação é mais eficaz do que aumentar a dose do CI isoladamente.
Tiotrópio (LAMA) é geralmente considerado para pacientes com asma grave não controlada, mesmo após a otimização da terapia com CI + LABA (equivalente ao passo 5 das diretrizes GINA). Corticosteroides orais são reservados para exacerbações agudas ou para asma grave refratária que não responde a outras terapias, devido aos seus efeitos adversos sistêmicos.
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