HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024
Paciente feminina, 21 anos, estudante. Vem ao ambulatório clínico com queixa de falta de ar, tosse noturna frequente e episódios de sibilância nos últimos seis meses. Relata um aumento nas suas limitações de atividade física e nas faltas às aulas devido aos sintomas respiratórios. Diagnóstico prévio de asma aos 10 anos de idade. Apesar de estar utilizando budesonida inalatória 400mcg 2x ao dia como manutenção e associar salbutamol inalatório nas crises conforme a prescrição médica, nos últimos meses vem apresentando piora progressiva dos sintomas.Com base no caso acima, assinale a conduta mais apropriada para a terapia fixa de manutenção dessa paciente:
Asma não controlada com corticoide inalatório (CI) → adicionar agonista beta-2 de longa duração (LABA) é o próximo passo GINA.
A paciente apresenta asma não controlada, apesar de estar em uso de corticoide inalatório (budesonida 800mcg/dia). De acordo com as diretrizes GINA, o próximo passo na terapia de manutenção para asma não controlada com CI é adicionar um agonista beta-2 de longa duração (LABA). A combinação de CI e LABA é mais eficaz no controle dos sintomas e na prevenção de exacerbações do que o aumento isolado da dose de CI.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de pessoas globalmente. O objetivo do tratamento é alcançar e manter o controle dos sintomas, prevenir exacerbações e otimizar a função pulmonar. As diretrizes da Iniciativa Global para a Asma (GINA) fornecem um guia escalonado para o manejo da doença, adaptando a terapia à gravidade e ao nível de controle do paciente. No caso da paciente, que apresenta sintomas persistentes e piora progressiva apesar do uso de corticoide inalatório em dose moderada (budesonida 800mcg/dia), ela se enquadra na categoria de asma não controlada. O próximo passo recomendado pelas diretrizes GINA (geralmente do passo 3 para o 4) é adicionar um agonista beta-2 de longa duração (LABA) ao corticoide inalatório. Essa combinação (CI-LABA) é a base do tratamento para a maioria dos pacientes com asma persistente, pois o LABA potencializa o efeito broncodilatador e o CI controla a inflamação. É fundamental que o residente compreenda a lógica do tratamento escalonado da asma, evitando o uso excessivo de broncodilatadores de curta ação ou a prescrição precoce de corticoides orais, que possuem efeitos adversos significativos. A adesão às diretrizes baseadas em evidências garante o melhor desfecho para o paciente, melhorando sua qualidade de vida e reduzindo a morbidade associada à asma não controlada.
Os principais sinais de asma não controlada incluem sintomas diurnos frequentes (>2 vezes/semana), despertares noturnos devido à asma, necessidade de uso de medicação de alívio (>2 vezes/semana) e limitação da atividade física. A presença de qualquer um desses indica controle inadequado.
A combinação de CI e LABA oferece um controle superior da asma porque o CI atua na inflamação subjacente, enquanto o LABA proporciona broncodilatação prolongada. Essa ação sinérgica melhora os sintomas, a função pulmonar e reduz o risco de exacerbações de forma mais eficaz do que qualquer um dos medicamentos isoladamente.
Antagonistas de leucotrienos (como o montelukast) são uma opção de terapia adicional que pode ser considerada em pacientes com asma que não atingem o controle adequado com CI-LABA, ou como alternativa em casos selecionados de asma leve a moderada, especialmente em pacientes com rinite alérgica concomitante ou asma induzida por exercício.
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