UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Paciente, 23 anos, tem diagnóstico de asma desde infância. Faz uso de beta 2 agonista de longa duração (formoterol) e budesonida. Retorna ao ambulatório de pneumologia com relato de que nas últimas semanas teve necessidade de fazer uso do broncodilatador de curta duração quase diariamente devido a sintomas respiratórios recorrentes e despertares noturnos. Em relação ao caso é correto afirmar:
Asma mal controlada (uso SABA > 2x/sem, despertares noturnos) → avaliar técnica inalatória e controle ambiental antes de escalonar.
O uso frequente de broncodilatadores de curta duração (SABA) e a ocorrência de despertares noturnos são indicadores claros de asma mal controlada, mesmo em pacientes em uso de terapia de manutenção. Antes de escalonar a medicação, é crucial reavaliar a técnica inalatória do paciente e identificar e corrigir possíveis gatilhos ambientais.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que, apesar dos avanços terapêuticos, ainda afeta milhões de pessoas globalmente. O objetivo principal do tratamento é alcançar e manter o controle da doença, minimizando os sintomas e o risco de exacerbações. O controle da asma é avaliado por critérios como frequência de sintomas diurnos, despertares noturnos, necessidade de uso de broncodilatador de curta duração (SABA) e limitação de atividades. No caso apresentado, o paciente, mesmo em uso de corticoide inalatório (budesonida) e beta-2 agonista de longa duração (formoterol), apresenta sintomas respiratórios recorrentes e despertares noturnos, além de uso quase diário de SABA. Esses são indicadores claros de asma mal controlada, conforme as diretrizes da GINA (Global Initiative for Asthma). Antes de qualquer escalonamento da terapia farmacológica, é mandatório investigar as causas do descontrole. As causas mais comuns de asma mal controlada incluem má adesão ao tratamento, técnica inalatória incorreta e exposição contínua a gatilhos ambientais. Portanto, o primeiro passo na abordagem de um paciente com asma mal controlada deve ser a reavaliação da técnica de uso do inalador e a identificação e correção de fatores ambientais desencadeantes (como alérgenos, irritantes, fumaça). Somente após otimizar esses aspectos, e se o controle ainda não for alcançado, deve-se considerar o escalonamento da terapia medicamentosa, conforme as etapas recomendadas pelas diretrizes.
A asma é considerada mal controlada se o paciente apresenta qualquer um dos seguintes critérios na última semana: sintomas diurnos mais de 2 vezes por semana, qualquer despertar noturno devido à asma, necessidade de broncodilatador de curta duração mais de 2 vezes por semana, ou qualquer limitação de atividade devido à asma. A presença de apenas um desses já indica descontrole.
Uma técnica inalatória incorreta é uma causa muito comum de falha terapêutica na asma. Se o medicamento não for administrado corretamente, ele não atingirá os pulmões de forma eficaz, resultando em sintomas persistentes. A reavaliação e o treinamento da técnica podem melhorar significativamente o controle da doença sem a necessidade de aumentar a dose ou adicionar novos medicamentos.
O controle ambiental é crucial para reduzir a exposição a gatilhos e alérgenos que podem exacerbar a asma. Isso inclui medidas como evitar fumaça de cigarro, ácaros, pelos de animais, mofo e poluentes. A identificação e eliminação desses fatores podem levar a uma melhora substancial no controle dos sintomas e na redução da necessidade de medicação.
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