USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Lactente de 1 ano, em consulta com pediatra apresenta história prévia de 3 episódios de sibilância, com necessidade de procurar pronto atendimento e realizar beta 2 agonista de curta duração. Apresenta também tosse seca pela manhã quase diariamente e tosse desencadeada pelo choro. Investigação dos diversos aparelhos revelou regurgitações frequentes até o 7º mês de vida, com melhora espontânea, e pele ressecada, com lesões pruriginosas em superfícies extensoras e abdômen. Qual é o tratamento de primeira escolha para esse paciente?
Lactente com sibilância recorrente (>3 episódios) + atopia (dermatite) → Asma provável, iniciar corticoide inalatório.
O lactente apresenta múltiplos episódios de sibilância, tosse crônica e sinais de atopia (dermatite atópica e histórico de RGE), que são fortes indicadores de asma em crianças pequenas. Nesses casos, o tratamento de primeira escolha para controle da inflamação das vias aéreas é o corticosteroide inalatório, mesmo antes de um diagnóstico formal de asma.
A asma em lactentes e pré-escolares é um desafio diagnóstico e terapêutico, dada a dificuldade de realizar testes de função pulmonar e a sobreposição de sintomas com outras condições respiratórias. No entanto, a sibilância recorrente, especialmente quando associada a fatores de risco como atopia (dermatite atópica, rinite alérgica, histórico familiar) e episódios graves que requerem broncodilatadores, sugere fortemente o diagnóstico de asma. A importância clínica reside na necessidade de controle precoce para prevenir remodelamento das vias aéreas e melhorar a qualidade de vida. A fisiopatologia da asma envolve uma inflamação crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução reversível. Em lactentes, essa inflamação é frequentemente desencadeada por infecções virais, mas a base atópica é um componente chave. Os sintomas incluem sibilância, tosse (especialmente noturna ou matinal) e dispneia. O histórico de refluxo gastroesofágico também pode ser um fator agravante ou desencadeante em alguns casos. O tratamento de primeira escolha para o controle da asma em lactentes é o corticosteroide inalatório (CI), que atua reduzindo a inflamação subjacente. Broncodilatadores de curta ação (beta-2 agonistas) são usados para alívio dos sintomas agudos, mas não tratam a causa da doença. A adesão ao CI é crucial para prevenir exacerbações, melhorar o controle dos sintomas e reduzir a necessidade de medicação de resgate.
Deve-se suspeitar de asma em lactentes com três ou mais episódios de sibilância, especialmente se houver fatores de risco como história familiar de atopia, dermatite atópica, rinite alérgica ou sibilância não associada a infecções virais.
O corticosteroide inalatório é a medicação controladora de primeira linha para asma em crianças, pois atua reduzindo a inflamação crônica das vias aéreas, prevenindo exacerbações e melhorando a função pulmonar a longo prazo.
A dermatite atópica é um forte preditor do desenvolvimento de asma e outras doenças alérgicas, fazendo parte da 'marcha atópica'. Sua presença em um lactente com sibilância aumenta a probabilidade de diagnóstico de asma.
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