UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Menino, 8 anos de idade, vai à consulta pediátrica numa UBS. Ele é asmático e recebe beclometasona inalatória 100 mcg/dia como medicação de controle há 3 meses. A mãe refere que nas últimas 4 semanas seu filho tem tossido à noite 1 vez por semana e tem necessitado de broncodilatador de resgate 2 a 3 vezes por semana por apresentar tosse e chiado no peito. Qual a conduta a se tomar para esta criança, de acordo com as orientações do GINA 2018?
Asma não controlada → antes de escalar dose, checar adesão, técnica inalatória e comorbidades.
Antes de aumentar a dose do corticoide inalatório ou adicionar novas medicações para asma não controlada, é fundamental revisar a adesão do paciente ao tratamento, a técnica correta de uso dos dispositivos inalatórios e investigar a presença de comorbidades que possam estar contribuindo para a falta de controle.
A asma é uma doença crônica comum na infância, e seu controle adequado é essencial para prevenir exacerbações, melhorar a qualidade de vida e evitar sequelas pulmonares. As diretrizes do GINA (Global Initiative for Asthma) são amplamente utilizadas para guiar o manejo da asma em todas as idades. O caso apresentado descreve uma criança com asma que está em uso de corticoide inalatório (beclometasona 100 mcg/dia) e apresenta sintomas de asma não controlada (tosse noturna 1x/semana, uso de resgate 2-3x/semana). Antes de escalar a terapia medicamentosa, as diretrizes do GINA enfatizam a importância de uma revisão sistemática dos fatores que podem estar contribuindo para o mau controle. Isso inclui, primordialmente, a checagem da adesão do paciente ao tratamento prescrito e a avaliação da técnica de uso dos dispositivos inalatórios, pois erros nesses aspectos são causas frequentes de falha terapêutica. Além disso, é crucial investigar a presença de comorbidades (como rinite alérgica, refluxo gastroesofágico, obesidade) que podem agravar a asma e necessitar de tratamento específico. Somente após descartar ou corrigir esses fatores, e se o controle persistir inadequado, deve-se considerar o aumento da dose do corticoide inalatório ou a adição de outra medicação de controle, conforme o passo a passo da escada terapêutica do GINA.
A asma é considerada não controlada se a criança apresenta sintomas diurnos mais de 2 vezes por semana, despertares noturnos por asma mais de 1 vez por semana, necessidade de broncodilatador de resgate mais de 2 vezes por semana, ou limitação de atividade.
A adesão inadequada e a técnica incorreta dos dispositivos inalatórios são as principais causas de falha no controle da asma, impedindo que a medicação atinja os brônquios de forma eficaz.
Comorbidades como rinite alérgica, sinusite, refluxo gastroesofágico, obesidade e apneia do sono podem agravar os sintomas da asma e dificultar seu controle.
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