USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 3 anos, é admitida no pronto-socorro com quadro de tosse e dificuldade para respirar há um dia, sem febre ou coriza associados. Apresenta histórico de ter apresentado três crises semelhantes nos últimos 06 meses, com necessidade de internação. Na triagem, apresentava-se taquidispneica, sendo levada à sala de emergência. Na avaliação sistematizada em sala de emergência, a paciente apresentava os seguintes dados de exame físico e monitorização: A: Via aérea pérvia. B: Murmúrio vesicular com sibilos difusos, tempo expiratório prolongado, FR: 45 ipm, tiragens subdiafragmática, intercostal e de fúrcula, SpO₂ 93% em máscara não reinalante. C: 2BRNF sem sopros, FC: 140 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulsos cheios. D: Alerta e orientada. E: Lesões eritemato-crostosas em superfícies flexoras de pernas e braços.Quanto ao uso profilático de corticoide inalatório no momento da alta hospitalar, é correto afirmar:
Lactente sibilante + Atopia (Dermatite) → Iniciar Corticoide Inalatório em dose baixa.
O diagnóstico de asma em pré-escolares é clínico; a presença de dermatite atópica e crises recorrentes justifica a manutenção com corticoide inalatório para controle inflamatório e redução de exacerbações.
A asma é a doença crônica mais comum na infância. Em pré-escolares, o desafio diagnóstico reside na diferenciação entre o 'sibilante transitório' e o 'asmático verdadeiro'. A presença de sinais de atopia, como a dermatite atópica (lesões eritemato-crostosas em superfícies flexoras), é um forte preditor de asma persistente. O tratamento de manutenção com corticoide inalatório (CI) é a pedra angular do manejo, visando reduzir a inflamação das vias aéreas. A indicação de alta hospitalar após uma crise em paciente com histórico de recorrência e fatores de risco deve obrigatoriamente incluir a terapia de controle. A escolha pela dose baixa de CI reflete a busca pelo equilíbrio entre eficácia clínica e minimização de efeitos colaterais sistêmicos, sendo a conduta padrão ouro inicial.
Em crianças menores de 5 anos, o diagnóstico é eminentemente clínico, baseado no padrão de sibilância recorrente (3 ou mais episódios em um ano) e na exclusão de diagnósticos diferenciais. O Índice Preditivo de Asma (IPA) auxilia na identificação de crianças com alta probabilidade de persistência da asma, utilizando critérios maiores (como dermatite atópica ou pai/mãe com asma) e menores (como rinite alérgica ou eosinofilia). No caso clínico, a paciente possui sibilância recorrente e dermatite atópica, fechando o critério para início de tratamento profilático.
Para a maioria das crianças que iniciam o tratamento profilático, a recomendação das diretrizes (como o GINA) é começar com corticoide inalatório (CI) em dose baixa (ex: fluticasona 50mcg 2x/dia ou beclometasona equivalente). O objetivo é o controle dos sintomas diários e a redução da frequência e gravidade das exacerbações. A dose pode ser ajustada (step-up ou step-down) após 2 a 3 meses de avaliação da resposta clínica.
O uso de beta-2 agonistas de longa duração (LABA) em crianças menores de 4-5 anos não é a primeira linha de tratamento e deve ser evitado como monoterapia. Quando indicado em casos de asma não controlada com dose baixa de CI, deve ser feito com cautela e sempre em associação fixa com o corticoide inalatório. Para a paciente do caso, que está iniciando a profilaxia, o CI isolado em dose baixa é a conduta correta.
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