Manejo da Asma em Menores de 5 Anos (GINA 2025)

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Lactente de 12 meses com quatro episódios de sibilância desde os 8 meses, um deles com necessidade de hospitalização. Todos os episódios ocorreram após quadros respiratórios virais. Entre crises, permanece com sintomas respiratórios leves. Ao exame: eutrófico, eupneico, ausculta com roncos de transmissão, lesões eczematosas em fossas cubitais e poplíteas. Com base no GINA 2025 para menores de 5 anos, qual a conduta terapêutica correta?

Alternativas

  1. A) Manter salbutamol inalatório sob demanda durante as crises.
  2. B) Corticoide inalatório diariamente, associado a salbutamol sob demanda.
  3. C) Tratamento de suporte exclusivo nas crises.
  4. D) Associar corticoide oral a salbutamol por um período de 3 a 5 dias nas crises.

Pérola Clínica

Sibilância recorrente + gravidade/atopia → Corticoide Inalatório (CI) contínuo.

Resumo-Chave

Lactentes com episódios frequentes de sibilância, hospitalização prévia e sinais de atopia (eczema) têm indicação de terapia de manutenção com corticoide inalatório conforme o GINA 2025.

Contexto Educacional

O manejo da sibilância na infância é um desafio devido à sobreposição de fenótipos. O GINA 2025 enfatiza que o tratamento não deve ser retardado em crianças com alta probabilidade de asma. O uso de corticoides inalatórios (CI) é a pedra angular para modificar a história natural das exacerbações e garantir qualidade de vida. Neste paciente, a presença de eczema (critério maior de atopia) e a gravidade do quadro (hospitalização) tornam a conduta de 'apenas observar' ou 'tratar apenas crises' insuficiente. A introdução do CI diário visa estabilizar a inflamação das vias aéreas, enquanto o salbutamol permanece como medicação de resgate para alívio imediato dos sintomas broncoconstritores.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para iniciar corticoide inalatório em menores de 5 anos?

Segundo o GINA 2025, o tratamento de manutenção (Step 2) com corticoide inalatório (CI) em baixas doses é indicado para crianças menores de 5 anos que apresentam: 1) Padrão de sintomas sugestivo de asma (sibilância recorrente, tosse noturna) não controlados ou episódios frequentes (≥ 3 por ano); 2) Episódios de sibilância graves desencadeados por vírus; ou 3) Presença de fatores de risco como atopia (eczema, rinite) ou história familiar de asma. No caso do lactente de 12 meses com 4 episódios, hospitalização e eczema, a indicação é clara.

Como diferenciar o sibilante transitório do sibilante persistente (asmático)?

A diferenciação é clínica e baseada em preditores. O sibilante transitório geralmente para de sibilar aos 3 anos e não possui história de atopia. Já o sibilante persistente/asmático frequentemente apresenta o Índice Preditivo de Asma (IPA) positivo, que inclui critérios maiores (pai ou mãe com asma, diagnóstico médico de eczema) ou critérios menores (rinite alérgica, sibilância sem resfriado, eosinofilia ≥ 4%). A presença de sintomas entre as crises e a gravidade dos episódios também corroboram o diagnóstico de asma.

Qual a dose recomendada de corticoide inalatório para manutenção nesta faixa etária?

Para menores de 5 anos, o Step 2 do GINA recomenda corticoide inalatório em dose baixa diária. Exemplos incluem Fluticasona (100 mcg/dia) ou Beclometasona (100-200 mcg/dia), preferencialmente administrados via inalador dosimetrado com espaçador e máscara facial adequada. O objetivo é reduzir a frequência e gravidade das crises, melhorar a função pulmonar e reduzir a necessidade de corticoides orais, que possuem mais efeitos colaterais sistêmicos a longo prazo.

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