UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Menina 9a, é trazida para consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde. Mãe está muito preocupada com as crises de asma. Mãe conta que a filha tosse quando treina natação e que acorda toda manhã com obstrução e prurido nasal. No último ano apresentou seis episódios de asma com necessidade de ir ao Pronto Socorro, sendo a última há três semanas, quando ficou internada por três dias. Antecedentes pessoais: os quadros iniciaram aos dois anos de idade. Medicações em uso: Beta2-agonista de curta duração nas crises de falta de ar e formoterol 12mcg associado à budesonida 200mcg duas vezes ao dia, com uso irregular. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA E A CONDUTA SÃO
Asma com sintomas diários, noturnos, exacerbações frequentes e uso irregular de ICS/LABA = asma grave não controlada. Otimizar rinite e adesão.
A paciente apresenta sintomas diários (obstrução/prurido nasal), noturnos (acorda com sintomas), exacerbações graves (6 idas ao PS, internação) e uso irregular da medicação controladora (formoterol/budesonida). Isso configura asma grave não controlada. A conduta deve focar na otimização do tratamento da rinite alérgica, educação sobre adesão e técnica inalatória, e manutenção da medicação profilática, com reavaliação em 4 semanas.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de crianças globalmente, sendo uma das principais causas de morbidade pediátrica. O controle da asma é avaliado pela frequência dos sintomas diurnos e noturnos, limitações de atividade, necessidade de medicação de resgate e ocorrência de exacerbações. A presença de sintomas diários, noturnos, exacerbações frequentes e internações, mesmo com medicação controladora, indica asma não controlada. A fisiopatologia da asma envolve inflamação crônica das vias aéreas, hiperresponsividade brônquica e obstrução variável do fluxo aéreo. A rinite alérgica é frequentemente comórbida e pode agravar o controle da asma, necessitando de tratamento concomitante. A falta de adesão à medicação controladora (corticosteroide inalatório + beta2-agonista de longa duração) e a técnica inalatória incorreta são barreiras comuns para o controle adequado. O tratamento da asma grave não controlada exige uma abordagem multifacetada. Isso inclui a otimização da medicação controladora, tratamento de comorbidades como a rinite alérgica, educação do paciente e família sobre a doença, importância da adesão e demonstração/reavaliação da técnica inalatória. O acompanhamento regular e próximo, com retornos em curtos intervalos (ex: 4 semanas), é fundamental para ajustar o plano terapêutico e alcançar o controle da doença, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida da criança.
A asma grave não controlada é definida pela presença de sintomas diurnos frequentes, sintomas noturnos, limitações de atividade, necessidade de medicação de resgate e exacerbações graves, mesmo com o uso regular e correto de altas doses de medicação controladora.
A rinite alérgica é uma comorbidade comum na asma e pode dificultar o controle da doença. O tratamento eficaz da rinite, com corticosteroides nasais, é fundamental para melhorar os sintomas respiratórios e reduzir as exacerbações da asma.
A otimização envolve educação contínua do paciente e da família sobre a importância da medicação, demonstração prática da técnica inalatória com dispositivos e verificação regular da técnica em cada consulta, além de simplificar o regime terapêutico quando possível.
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