Tratamento da Asma Grave: Biológicos e Corticoides Orais

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

A respeito do tratamento da asma grave não controlada, assinale a alternativa correspondente à(s) opção(ões) terapêutica(s) que pode(em) ser considerada(s) em pacientes que não respondem adequadamente aos corticoides inalados e aos broncodilatadores de longa ação:

Alternativas

  1. A) Uso contínuo de antibióticos.
  2. B) Corticoides orais e terapias biológicas, como omalizumabe ou mepolizumabe.
  3. C) Introdução de terapia com agentes antivirais.
  4. D) Aumento da dose de broncodilatadores de curta ação.

Pérola Clínica

Asma refratária (Etapa 5 GINA) → Avaliar fenótipo para Biológicos ou considerar Corticoide Oral.

Resumo-Chave

Em pacientes com asma não controlada apesar de doses altas de CI/LABA, a diretriz GINA recomenda a fenotipagem para uso de terapias biológicas (anti-IgE, anti-IL5) ou, como alternativa de maior risco, o uso de corticoides orais.

Contexto Educacional

A asma grave representa cerca de 5-10% da população asmática, mas consome a maior parte dos recursos de saúde devido a hospitalizações e custos de medicação. A fisiopatologia envolve frequentemente a inflamação do tipo 2 (T2-high), mediada por citocinas como IL-4, IL-5 e IL-13, o que justifica o sucesso dos anticorpos monoclonais direcionados a essas vias. O manejo moderno exige uma abordagem multidisciplinar. Além da farmacoterapia, a termoplastia brônquica surge como opção não farmacológica em casos selecionados. O reconhecimento precoce da falha terapêutica nas etapas iniciais evita o remodelamento brônquico e melhora o prognóstico a longo prazo do paciente residente ou ambulatorial.

Perguntas Frequentes

Quando indicar terapia biológica na asma grave?

A terapia biológica é indicada na Etapa 5 do GINA para pacientes com asma grave não controlada apesar do uso otimizado de corticoide inalatório em dose alta e LABA. A escolha do biológico depende da fenotipagem: o Omalizumabe (anti-IgE) é indicado para asma alérgica grave com IgE sérica elevada e testes cutâneos positivos. Já os anticorpos anti-IL5 (Mepolizumabe, Reslizumabe) ou anti-receptor de IL5 (Benralizumabe) são indicados para o fenótipo eosinofílico. O Dupilumabe (anti-IL4/IL13) também é opção para asma tipo 2. O objetivo é reduzir exacerbações, melhorar a função pulmonar e reduzir a dependência de corticoides orais, que possuem perfil de efeitos colaterais sistêmicos graves a longo prazo.

Qual o papel dos corticoides orais na asma grave?

Os corticoides orais (CO) são considerados uma opção de tratamento de manutenção na Etapa 5 do GINA, mas devem ser utilizados como último recurso devido aos seus efeitos adversos significativos, como osteoporose, diabetes, hipertensão e supressão adrenal. Antes de prescrever CO contínuo, é mandatório confirmar a adesão ao tratamento inalatório, revisar a técnica de uso dos dispositivos, tratar comorbidades (como rinossinusite e refluxo) e tentar o acesso a terapias biológicas. Quando necessários, devem ser prescritos na menor dose eficaz possível. O manejo deve ser feito preferencialmente por especialistas em centros de referência para asma grave.

Quais são os critérios para definir asma como 'não controlada'?

A asma é definida como não controlada se apresentar pelo menos um dos seguintes critérios: 1) Controle precário dos sintomas (frequência de sintomas diurnos, despertares noturnos, necessidade de medicação de resgate e limitação de atividades); 2) Exacerbações frequentes (duas ou mais crises ao ano que exigem corticoides sistêmicos); 3) Exacerbações graves (pelo menos uma hospitalização ou admissão em UTI no último ano); ou 4) Limitação persistente do fluxo aéreo (VEF1 reduzido após broncodilatador). A distinção entre asma de difícil tratamento (por má adesão ou comorbidades) e asma grave (refratária ao tratamento otimizado) é fundamental para a conduta terapêutica correta.

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