UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Uma fisioterapeuta respiratória de 34 anos de idade apresenta asma há 10 anos. A asma tornou-se de difícil controle nos últimos 5 meses. Antes desse período, ela havia apresentado episódios intermitentes de tosse e dispneia uma vez a cada duas semanas, na vigência do tratamento com fluticasona 250 μg inalada, na dose de duas vezes por dia, e salmuterol, na dose 50 μg, duas vezes por dia. Para obter o mesmo controle sintomático obtido nos últimos quatro meses, é necessário acrescentar salbutamol 200μg, quatro vezes por dia, e prednisona 40mg diariamente. Além disso, sempre que a dose de prednisona é reduzida para menos de 30mg, ela desenvolve uma exacerbação grave de asma, que requer consulta no pronto atendimento. Ela nega tabagismo, pirose e não possui animais de estimação. Algumas vezes usa paracetamol para tratar cefaleia frontal. A revisão dos sistemas revela eczema e prurido oral após ingestão de bananas, castanhas e abacates. O exame físico revela um aspecto cushingoide, temperatura de 36,8ºC, pressão arterial de 120/80 mmHg, pulso de 104 bpm, frequência respiratória de 18/min, erupção eczematóide nas mãos e sibilos expiratórios dispersos. A radiografia do tórax e seios da face (4 posições) são normais. A causa mais provável da dificuldade do controle da asma dessa paciente, é:
Asma de difícil controle em profissional de saúde com alergia a frutas (banana, abacate) → suspeitar de alergia ao látex.
A associação de asma de difícil controle em um profissional de saúde (exposto a luvas de látex) com alergia a frutas como banana, abacate e castanhas (síndrome látex-fruta) é altamente sugestiva de alergia ao látex como causa subjacente da asma.
A asma de difícil controle representa um desafio diagnóstico e terapêutico, exigindo uma investigação aprofundada para identificar fatores contribuintes. Entre eles, as alergias ocupacionais são frequentemente subestimadas, especialmente em profissionais de saúde que estão expostos a diversos alérgenos no ambiente de trabalho. A alergia ao látex é uma causa importante de asma ocupacional, manifestando-se por sintomas respiratórios, cutâneos e, em casos graves, anafilaxia. A síndrome látex-fruta é um fenômeno de reatividade cruzada, onde pacientes sensibilizados ao látex reagem a proteínas semelhantes presentes em frutas como banana, abacate, kiwi e castanhas. A história clínica detalhada, incluindo exposição ocupacional e reações alimentares, é fundamental. O manejo da asma de difícil controle por alergia ao látex envolve a identificação e eliminação da exposição ao alérgeno, o que pode incluir a substituição de produtos de látex no ambiente de trabalho e doméstico. O tratamento farmacológico da asma deve ser otimizado, mas a remoção do gatilho é essencial para o controle a longo prazo e para evitar a dependência de corticosteroides orais.
Sinais de alerta incluem asma de difícil controle em profissionais de saúde, histórico de eczema, e reações alérgicas a frutas como banana, abacate, kiwi e castanhas (síndrome látex-fruta).
A síndrome látex-fruta é uma reação alérgica cruzada entre proteínas do látex e proteínas de certas frutas. Em pacientes sensibilizados ao látex, a ingestão dessas frutas pode desencadear sintomas alérgicos, incluindo exacerbação da asma.
O diagnóstico de alergia ao látex é crucial para o manejo da asma, pois a eliminação da exposição ao látex (ex: uso de luvas sem látex) pode levar a uma melhora significativa do controle da asma e prevenir reações anafiláticas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo