INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma menina com 7 anos de idade é trazida pela mãe à Unidade Básica de Saúde, com queixa de “chiado no peito” frequente desde os 2 anos de idade. A mãe informa que há vários dias o quadro vem piorando, depois de uma mudança climática abrupta. Informa também que a criança teve várias crises no último ano, inclusive com uma internação hospitalar. Ao exame físico apresenta: frequência respiratória = 40 irpm, frequência cardíaca = 102 bpm, sibilância expiratória difusa, ausência de tiragem intercostal. Apresenta hipertrofia e palidez de cornetos nasais à rinoscopia. O médico conclui que a criança é portadora de asma brônquica persistente moderada. O melhor esquema terapêutico de manutenção para essa criança é o uso de salbutamol inalatório associado a:
Asma persistente em pediatria → Corticoide inalatório é o pilar do tratamento de manutenção.
O tratamento da asma persistente moderada visa o controle da inflamação crônica das vias aéreas. O uso de corticoides inalatórios reduz a frequência de crises, hospitalizações e melhora a função pulmonar.
A asma é a doença crônica mais comum na infância, caracterizada por inflamação crônica e hiperresponsividade das vias aéreas. O caso descreve uma criança com sinais claros de asma não controlada e atopia (hipertrofia de cornetos), necessitando de intervenção farmacológica contínua. As diretrizes globais (GINA) enfatizam que o tratamento de manutenção deve ser baseado em corticoides inalatórios (ex: fluticasona, budesonida) para todos os pacientes com asma persistente. O objetivo é atingir o controle dos sintomas e minimizar o risco futuro de exacerbações e remodelamento das vias aéreas.
O corticoide inalatório (CI) é a terapia de escolha para manutenção porque atua diretamente na mucosa brônquica, permitindo o uso de doses significativamente menores para atingir o efeito anti-inflamatório desejado. Isso minimiza a absorção sistêmica e, consequentemente, reduz drasticamente o risco de efeitos colaterais graves associados aos corticoides orais, como supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, déficit de crescimento em crianças, osteoporose e síndrome de Cushing.
A classificação da gravidade da asma (antes do início do tratamento) como persistente moderada baseia-se na frequência dos sintomas. Geralmente inclui sintomas diários, necessidade de medicação de resgate quase todos os dias, limitação das atividades diárias, sintomas noturnos mais de uma vez por semana e uma função pulmonar (VEF1 ou PFE) entre 60% e 80% do previsto. No caso clínico, a recorrência desde os 2 anos e a internação prévia reforçam a necessidade de terapia controladora.
O tratamento da asma segue uma estratégia de 'step-up' (subir degrau) e 'step-down' (descer degrau). Se o controle não for alcançado em 1-3 meses com a dose inicial de corticoide inalatório, deve-se revisar a técnica inalatória, a adesão e o controle ambiental antes de aumentar a dose ou associar outras drogas (como LABA ou antileucotrienos). Uma vez mantido o controle por pelo menos 3 meses, pode-se tentar reduzir a dose para a mínima eficaz.
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