Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Criança de 6 anos, com diagnóstico prévio de asma controlada, retorna ao consultório com quadro de piora da tosse noturna, uso frequente de salbutamol e despertares noturnos. qual o passo adequado na abordagem terapêutica?
Sintomas noturnos ou uso de SABA > 2x/mês → Iniciar corticoide inalatório (CI).
A asma não controlada, evidenciada por despertares noturnos e uso frequente de resgate, exige a introdução de terapia anti-inflamatória com corticoide inalatório para controle da doença.
A asma é a doença crônica mais comum na infância, caracterizada por inflamação reversível das vias aéreas. O manejo baseia-se no controle de sintomas e redução de riscos futuros (exacerbações e perda de função pulmonar). O uso excessivo de beta-2 agonistas de curta duração (SABA) está associado a piores desfechos, indicando a necessidade de terapia anti-inflamatória. As diretrizes internacionais, como o GINA, enfatizam que a presença de sintomas noturnos é um marcador de gravidade e falta de controle, justificando a introdução imediata de corticoides inalatórios para estabilização do quadro clínico e prevenção de crises graves.
Os sinais de asma não controlada incluem sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, qualquer despertar noturno devido à asma, necessidade de medicação de resgate (como salbutamol) mais de duas vezes por semana e qualquer limitação de atividade física. No caso clínico apresentado, a criança apresenta despertares noturnos e uso frequente de medicação de resgate, o que classifica a asma como não controlada, exigindo o início ou ajuste da terapia de manutenção conforme as diretrizes do GINA.
O corticoide inalatório (CI) atua diretamente na fisiopatologia da asma, que é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Ao contrário dos broncodilatadores de curta ação, que apenas aliviam os sintomas agudos, o CI reduz o edema da mucosa, a produção de muco e a hiperresponsividade brônquica. Isso previne exacerbações, melhora a função pulmonar a longo prazo e reduz a mortalidade associada à doença, sendo a base do tratamento de manutenção.
O 'step-up' ou escalonamento do tratamento deve ser considerado quando o paciente mantém sintomas apesar da adesão correta e técnica inalatória adequada. Para crianças, o primeiro passo após o uso apenas de resgate é a introdução de CI em dose baixa. Se o controle não for atingido, pode-se dobrar a dose do CI ou associar um LABA (em maiores de 6 anos) ou um antagonista de receptor de leucotrieno, sempre reavaliando o paciente em 1 a 3 meses.
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