CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Um menino de 6 anos é trazido ao consultório por apresentar episódios recorrentes de tosse seca, especialmente à noite, e sibilância ocasional há cerca de seis meses. Nas últimas semanas, os sintomas se intensificaram, com dispneia leve aos esforços. Nega febre e refere expectoração mucosa eventual. Há histórico familiar de asma. Ao exame, notam-se sibilos expiratórios bilaterais. Considerando o manejo clínico dessa criança, qual dos critérios a seguir é mais útil para avaliar, a longo prazo, o controle e a eficácia do tratamento?
Uso frequente de SABA (≥3x/semana) = Asma mal controlada.
O controle da asma é avaliado clinicamente pela frequência de sintomas e pela necessidade de medicação de resgate (SABA), que reflete a estabilidade da doença.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiperresponsividade brônquica e limitação variável ao fluxo aéreo. Na pediatria, o manejo foca na obtenção do controle total dos sintomas para permitir que a criança realize atividades normais de infância sem limitações. O GINA (Global Initiative for Asthma) recomenda uma abordagem baseada em ciclos: avaliar, ajustar o tratamento e revisar a resposta. A necessidade de medicação de resgate (SABA) é um dos pilares dessa avaliação. Crianças que dependem do SABA frequentemente estão sob risco de remodelamento das vias aéreas e crises fatais. Portanto, a educação do paciente e da família sobre a diferença entre medicação de 'alívio' e de 'controle' é crucial para o sucesso terapêutico a longo prazo.
O controle é avaliado em dois domínios: controle atual dos sintomas e risco futuro de desfechos adversos. Clinicamente, verifica-se nas últimas 4 semanas: sintomas diurnos (>2x/semana), qualquer despertar noturno por asma, necessidade de medicação de resgate (>2x/semana) e qualquer limitação de atividade.
O uso frequente de broncodilatadores de curta ação (SABA) indica que a inflamação das vias aéreas não está sendo adequadamente controlada pela terapia de manutenção (como corticoides inalatórios). O uso de 3 ou mais frascos de SABA por ano está associado a um risco significativamente maior de exacerbações graves e idas à emergência.
A espirometria é fundamental para o diagnóstico e para avaliar a função pulmonar basal. No entanto, para o monitoramento rotineiro do controle clínico, a frequência de sintomas e o uso de resgate são mais sensíveis e práticos. A função pulmonar deve ser reavaliada periodicamente, mas não substitui a avaliação clínica diária.
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