Asma em Lactentes: Diagnóstico Clínico e Sibilância Recorrente

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

Lactente de 16 meses é internado, devido a segundo episódio de sibilância (primeiro episódio aos 12 meses de idade), com taquipneia, esforço respiratório, tempo expiratório prolongado e sibilos expiratórios difusos, com resposta a beta 2 agonistas de curta duração. Segundo a mãe, o quadro iniciou após episódio de resfriado comum. Lactente previamente hígido, com teste do pezinho normal, sem internações, bom ganho pondero estatural. Pais e irmão possuem histórias de sibilância. Ao exame físico, exceto pelo aparelho respiratório, sem alterações. Sobre o quadro descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Trata-se de possível diagnóstico de asma, mas é necessário realização de espirometria.
  2. B) Trata-se de possível diagnóstico de asma, mas é necessário realização de oscilometria.
  3. C) Trata-se de possível diagnóstico de asma, não sendo necessário realização de exames complementares.
  4. D) Trata-se de possível diagnóstico de asma, mas é necessário realização de ecocardiograma para exclusão de cardiopatia congênita.

Pérola Clínica

Lactente + sibilância recorrente + resposta a β2 + história familiar = Asma (diagnóstico clínico).

Resumo-Chave

Em crianças menores de 5 anos, o diagnóstico de asma é eminentemente clínico, baseado na recorrência dos sintomas, resposta ao tratamento e história familiar de atopia.

Contexto Educacional

A sibilância recorrente no lactente é um desafio diagnóstico, pois muitos 'sibilantes transitórios' param de apresentar sintomas na idade escolar. No entanto, o quadro descrito (dois episódios, resposta a broncodilatador e forte história familiar) preenche critérios para o diagnóstico clínico de asma brônquica, conforme as diretrizes do GINA (Global Initiative for Asthma). O manejo inicial foca no controle da inflamação das vias aéreas e alívio de broncoespasmos. Em lactentes com episódios frequentes ou graves, o uso de corticosteroides inalatórios em baixas doses é a terapia de manutenção preferencial. A educação da família sobre gatilhos ambientais e a técnica correta de uso dos inaladores com espaçadores é fundamental para o sucesso do tratamento.

Perguntas Frequentes

É possível realizar espirometria em um lactente de 16 meses?

Não. A espirometria exige cooperação do paciente para realizar manobras de expiração forçada, o que geralmente só é possível a partir dos 5 ou 6 anos de idade. Em lactentes, o diagnóstico de asma é clínico e baseado no Índice de Predição de Asma (IPA) ou critérios semelhantes.

Quais fatores sugerem diagnóstico de asma em um sibilante recorrente?

Fatores de risco maiores incluem história parental de asma e dermatite atópica na criança. Fatores menores incluem rinite alérgica, sibilância sem resfriado e eosinofilia periférica (≥ 4%). A resposta clínica positiva ao uso de broncodilatadores (beta-2 agonistas) também é um forte indicador.

Quando solicitar exames complementares na sibilância da infância?

Exames como radiografia de tórax, teste do suor ou ecocardiograma devem ser reservados para casos com sinais de alerta ('red flags'), como falha no crescimento, sibilância desde o nascimento, sintomas persistentes sem melhora com medicação ou sinais de aspiração de corpo estranho.

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