SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Em relação à asma na infância, qual das seguintes opções é diagnosticamente mais sugestiva?
Tosse noturna + sibilância episódica + gatilhos → Sugestivo de Asma na infância.
O diagnóstico de asma na infância é predominantemente clínico, baseado no padrão de sintomas recorrentes que pioram à noite ou com gatilhos, e na exclusão de diferenciais.
A asma é a doença crônica mais comum na infância, caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas. A fisiopatologia envolve hiperresponsividade brônquica a diversos estímulos, resultando em obstrução variável ao fluxo aéreo. O reconhecimento precoce é vital para iniciar o tratamento preventivo com corticoides inalatórios, reduzindo o remodelamento brônquico e melhorando a qualidade de vida. O manejo deve ser guiado pelo controle dos sintomas e redução de riscos futuros, como exacerbações e perda de função pulmonar.
Em crianças pré-escolares, o diagnóstico é essencialmente clínico e funcional, baseado na presença de sintomas característicos como sibilância, tosse (especialmente noturna ou induzida por exercício), dificuldade respiratória e aperto no peito. A recorrência desses episódios e a resposta positiva a broncodilatadores reforçam a suspeita. Como a espirometria é tecnicamente difícil nessa faixa etária, utiliza-se o Índice de Predição de Asma (IPA) para avaliar o risco de persistência dos sintomas na vida escolar, considerando critérios maiores como história parental de asma e dermatite atópica, e critérios menores como rinite alérgica, sibilância sem resfriado e eosinofilia periférica. O diagnóstico precoce permite o controle da inflamação das vias aéreas e melhora o prognóstico a longo prazo.
É fundamental excluir outras causas de sibilância recorrente, como aspiração de corpo estranho (início súbito), fibrose cística (baixa curva ponderal, diarreia crônica), malformações congênitas (anéis vasculares), bronquiolite obliterante e refluxo gastroesofágico. A presença de tosse produtiva diária, estridor ou pneumonias de repetição deve alertar o médico para investigações adicionais, pois fogem do padrão típico da asma atópica, que geralmente apresenta tosse seca e sibilância desencadeada por alérgenos ou infecções virais. Sinais de alerta como baqueteamento digital ou falha no crescimento devem levar à investigação imediata de doenças pulmonares crônicas não asmáticas, garantindo que o tratamento correto seja instituído sem atrasos prejudiciais ao desenvolvimento da criança.
A espirometria é o padrão-ouro para demonstrar a limitação variável ao fluxo aéreo em crianças maiores de 5-6 anos que conseguem realizar a manobra. O achado clássico é um distúrbio ventilatório obstrutivo com resposta significativa ao broncodilatador, definida por um aumento do VEF1 ≥ 12% do valor previsto. No entanto, uma espirometria normal entre as crises não exclui o diagnóstico de asma, pois a obstrução é intermitente e reversível. Em casos de dúvida diagnóstica com espirometria normal, testes de broncoprovocação (com metacolina ou exercício) ou a medida da variabilidade do pico de fluxo expiratório (PFE) ao longo de duas semanas podem ser úteis para confirmar a hiperresponsividade brônquica característica.
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