SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menina de 10 anos de idade chega à Unidade de Pronto Atendimento acompanhada por sua mãe, apresentando dificuldade intensa para respirar, chiado no peito e sensação de aperto torácico, que piorou nas últimas 48 horas. Desde os 4 anos de idade, houve múltiplas internações por quadros semelhantes. Nos últimos meses, tem apresentado sintomas quase que diariamente, e despertares noturnos frequentes. Tem usado corticosteroide inalatório regularmente, além de medicamentos de resgate. Está ansiosa porque tem sido necessário se afastar de atividades físicas na escola, devido à falta de ar. Ao exame físico, observa-se desconforto respiratório, com FR: 40ipm, SatO2: 88% em ar ambiente, Temp: 36,6o C; sibilos difusos à ausculta pulmonar e uso de musculatura acessória para respirar.Dentre os exames a seguir, o mais adequado para avaliação desta paciente, no momento:
SatO2 < 90% + Uso de musculatura acessória + Taquipneia → Crise de asma grave → Gasometria Arterial.
Em crises de asma com sinais de gravidade e hipoxemia significativa, a gasometria arterial é essencial para avaliar a retenção de CO2 e o risco iminente de falência respiratória.
A asma é a doença crônica mais comum na infância, e as exacerbações graves representam uma causa importante de morbidade e hospitalização. O manejo inicial foca na reversão da obstrução ao fluxo aéreo com broncodilatadores de curta ação e corticosteroides sistêmicos. A monitorização da saturação de oxigênio é mandatória. Em pacientes que não respondem às medidas iniciais ou que apresentam sinais de exaustão, a avaliação laboratorial com gasometria arterial torna-se indispensável para guiar a intensidade do suporte ventilatório e a monitorização em ambiente de terapia intensiva.
Os sinais de gravidade incluem incapacidade de falar frases completas, uso de musculatura acessória (tiragem subcostal, fúrcula), frequência respiratória muito elevada para a idade, cianose, SatO2 < 92% em ar ambiente e alteração do nível de consciência (agitação ou sonolência). O 'tórax silencioso' à ausculta é um sinal de extrema gravidade, indicando fluxo de ar insuficiente para gerar sibilos.
Na crise de asma grave, a principal preocupação é a fadiga da musculatura respiratória levando à hipoventilação e hipercapnia (retenção de CO2). A gasometria arterial fornece a medida exata da PaCO2 e da PaO2, permitindo calcular o gradiente alvéolo-arterial e identificar precocemente a acidose respiratória, o que é crucial para decidir sobre a necessidade de suporte ventilatório invasivo ou não invasivo.
Uma PaCO2 normal (em torno de 40 mmHg) em um paciente com taquipneia importante e esforço respiratório intenso é um sinal de alarme. O esperado na fase inicial da crise é a hipocapnia por hiperventilação. Uma PaCO2 que começa a 'normalizar' ou subir indica que o paciente está entrando em exaustão muscular e falência respiratória iminente.
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