Manejo da Crise de Asma Grave na Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um homem com 32 anos de idade é trazido à Emergência de um Hospital Geral apresentando quadro de dispneia com piora progressiva nas últimas 48 horas. Relata que estava “resfriado” nos dias que precederam o quadro atual e que já estava melhorando da coriza e espirros quando a dispneia se agravou. Refere desconforto torácico, sibilância, tosse com expectoração esbranquiçada. Está em uso de beta 2-agonista e corticoide inalatório em dose baixa, sem obter melhora. Sabe que é portador de asma brônquica desde a infância e no último ano precisou ser internado por curtos períodos, em ambiente de emergência, por três ocasiões. Ao exame físico, apresenta-se lúcido, orientado, colaborativo, dispneico, falando frases incompletas, e um pouco agitado e ansioso; corado, hidratado, acianótico; pressão arterial = 120 x 80 mmHg, frequência respiratória = 32 irpm, frequência cardíaca = 112 bpm, temperatura axilar = 36,0°C. O paciente apresenta retração costal e supraesternal e sibilos disseminados na ausculta pulmonar. Ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas e ritmo cardíaco regular, em dois tempos. Ausência de turgência jugular. Abdome sem anormalidades. O pico de fluxo expiratório (PFE) foi de 33% e a saturação de O₂, medida por oxímetro de pulso = 91%. Na abordagem inicial desse paciente, a sequência correta de medidas terapêuticas a serem implementadas deve incluir:

Alternativas

  1. A) Administração de aminofilina intravenosa, corticosteroide por via venosa e instalação de ventilação mecânica.
  2. B) Administração de oxigênio por máscara facial, corticosteroide por via inalatória e sedação leve com benzodiazepínico.
  3. C) Doses repetidas de beta-2 agonista por via inalatória, corticosteroide por via venosa e antibioticoterapia por via venosa.
  4. D) Administração de oxigênio por máscara facial, doses repetidas de beta-2 agonista por via inalatória e corticosteroide por via venosa.

Pérola Clínica

Crise de asma → O2 (alvo 93-95%) + SABA repetido + Corticoide sistêmico precoce.

Resumo-Chave

O manejo da asma grave foca na reversão rápida da obstrução (broncodilatadores) e na redução da inflamação das vias aéreas (corticoides), além de suporte de oxigênio.

Contexto Educacional

O tratamento da exacerbação da asma baseia-se na gravidade da apresentação clínica. Pacientes com PFE < 50% ou sinais de desconforto respiratório franco devem receber oxigênio suplementar, doses repetidas de beta-2 agonistas de curta duração (SABA) e corticoide sistêmico. O brometo de ipratrópio pode ser adicionado ao SABA nas crises graves para efeito sinérgico. A via venosa para corticoides é preferível em pacientes com insuficiência respiratória iminente ou que não toleram a via oral. A monitorização contínua é vital para decidir sobre a necessidade de ventilação mecânica não invasiva ou invasiva.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de gravidade em uma crise de asma?

Os sinais de gravidade incluem a incapacidade de falar frases completas, agitação, frequência respiratória > 30 irpm, frequência cardíaca > 120 bpm, uso de musculatura acessória e saturação de O2 < 90%. O Pico de Fluxo Expiratório (PFE) abaixo de 50% do previsto ou do melhor pessoal também indica uma crise grave que necessita de intervenção imediata e agressiva.

Por que o corticoide sistêmico é essencial na crise?

Embora os broncodilatadores resolvam o broncoespasmo imediato, a asma é uma doença inflamatória. O corticoide sistêmico (oral ou venoso) reduz o edema da mucosa e a produção de muco, além de prevenir a recidiva precoce. Ele deve ser administrado na primeira hora de atendimento em crises moderadas a graves.

Qual o alvo de saturação de oxigênio na asma?

Diferente da DPOC, onde o alvo é menor, na asma o objetivo é manter a saturação de oxigênio entre 93% e 95% em adultos (e 94-98% em crianças). O uso de oxigênio deve ser titulado para evitar hiperóxia desnecessária, mas garantindo a oxigenação tecidual adequada durante o esforço respiratório intenso.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo