AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
M.R.S, 16 anos, compareceu ao pronto-socorro acompanhado pela mãe, com queixa de tosse persistente e falta de ar, especialmente à noite e durante a prática de exercícios físicos. Os sintomas se iniciaram há cerca de 6 meses e têm se tornado mais frequentes e intensos. A mãe relata que o paciente acorda algumas noites com tosse, o que o impede de ter uma boa noite de sono. O paciente nega tabagismo, febre, dor no peito, perda de peso ou outros sintomas sistêmicos. Após consulta com a clínica médica foi requisitada uma espirometria com prova broncodilatadora (b.d.) cujo resultado se apresenta abaixo: Em relação ao diagnóstico marque a alternativa correta:
Asma = Obstrução reversível. LABA nunca em monoterapia. Diferenciais: Fibrose Cística e Bronquiolite.
O diagnóstico de asma em adolescentes exige a exclusão de diagnósticos diferenciais importantes como fibrose cística e bronquiolite obliterante, além da confirmação de obstrução reversível na espirometria.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiper-responsividade brônquica e limitação variável do fluxo aéreo. Em adolescentes, a apresentação clínica com tosse noturna e induzida pelo exercício é clássica, mas não patognomônica. A fisiopatologia envolve uma cascata inflamatória complexa, predominantemente mediada por linfócitos Th2, eosinófilos e mastócitos. É crucial que o médico não negligencie diagnósticos diferenciais, especialmente em casos de difícil controle ou início atípico. A fibrose cística, por exemplo, pode mimetizar a asma, mas apresenta outras manifestações sistêmicas. Quanto ao tratamento, as diretrizes do GINA enfatizam que o uso excessivo de SABA (curta ação) e a monoterapia com LABA são práticas perigosas que devem ser evitadas para reduzir a mortalidade.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem a fibrose cística (especialmente se houver sintomas gastrointestinais ou baqueteamento digital), bronquiolite obliterante (histórico de infecção viral grave na infância), disfunção de cordas vocais e aspiração de corpo estranho.
Diferente da DPOC, na asma o uso de LABA sem um corticoide inalatório associado está ligado a um aumento significativo na mortalidade e exacerbações graves. O LABA mascara a inflamação subjacente enquanto trata apenas a bronconstrição, permitindo que o processo inflamatório progrida perigosamente.
A espirometria é o padrão-ouro para demonstrar a limitação variável do fluxo aéreo. O diagnóstico é confirmado pela presença de um distúrbio ventilatório obstrutivo que reverte após o uso de broncodilatador (aumento do VEF1 > 12% e > 200ml em adultos/adolescentes).
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