Diagnóstico e Manejo da Asma em Pré-Escolares

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino, 4a e 11m, previamente saudável, foi internado com insuficiência respiratória aguda obstrutiva durante 15 dias aos 10 meses de idade, com diagnóstico de bronquiolite viral aguda. Após a alta, apresentou crises mensais de insuficiência respiratória aguda obstrutiva. A mãe relata que, agora, com quatro anos, a criança apresenta crises ao entrar em contato com aeroalérgenos, especialmente quando visita a casa da avó, onde há muitos tapetes e cortinas. A última prescrição feita pelo médico do Pronto-Socorro incluiu salbutamol inalatório e prednisolona por cinco dias. O pai da criança tem histórico de "chiado recorrente até a adolescência". O diagnóstico e a conduta são:

Alternativas

  1. A) Sibilância induzida por infecções virais; tratar as crises com broncodilatadores, conforme necessário, sem necessidade de terapia de manutenção.
  2. B) Bronquiolite obliterante pós-infecciosa; considerar avaliação adicional e tratamento de suporte, sem uso de corticosteroides inalatórios de rotina.
  3. C) Disfunção de cordas vocais; encaminhar para avaliação otorrinolaringológica devido à persistência dos sintomas respiratórios.
  4. D) Asma; continuar o tratamento com broncodilatadores e iniciar corticosteroides inalatórios de manutenção.

Pérola Clínica

Sibilância recorrente + Gatilhos (alérgenos) + História familiar = Asma → Iniciar Corticoide Inalatório.

Resumo-Chave

O diagnóstico de asma em pré-escolares é clínico, baseado na recorrência de sintomas obstrutivos, presença de gatilhos não virais e história familiar de atopia.

Contexto Educacional

A asma é a doença crônica mais comum na infância. O manejo atual, guiado por diretrizes como o GINA (Global Initiative for Asthma), enfatiza o controle da inflamação para evitar o remodelamento das vias aéreas. Em pré-escolares, a decisão de iniciar terapia de manutenção deve considerar a frequência das crises e o impacto no cotidiano da criança. O uso de espaçadores com máscara facial é a técnica preferencial para garantir a deposição pulmonar adequada da medicação inalatória nesta faixa etária.

Perguntas Frequentes

Como diagnosticar asma em crianças menores de 5 anos?

O diagnóstico de asma em crianças menores de 5 anos é essencialmente clínico. Baseia-se no padrão de sintomas respiratórios (sibilância, tosse, dispneia) que são recorrentes, pioram à noite ou ao acordar, e ocorrem em resposta a gatilhos como exercício, riso, choro ou exposição a alérgenos e poluição. A presença de outras doenças atópicas (dermatite atópica, rinite) e história familiar de asma em parentes de primeiro grau aumentam significativamente a probabilidade diagnóstica.

Qual o papel do corticoide inalatório no tratamento?

O corticosteroide inalatório (CI) é a base do tratamento de manutenção da asma. Ele atua reduzindo a inflamação crônica das vias aéreas, diminuindo a hiperresponsividade brônquica e prevenindo a ocorrência de crises. O uso regular de CI reduz a necessidade de hospitalizações, melhora a função pulmonar e a qualidade de vida da criança. Deve ser iniciado em crianças com sintomas frequentes ou crises graves, mesmo que o diagnóstico definitivo de asma ainda esteja em consolidação.

O que diferencia a asma da sibilância transitória?

A sibilância transitória do lactente geralmente começa no primeiro ano de vida e desaparece por volta dos 3 anos, estando associada principalmente a infecções virais e tabagismo materno, sem história de atopia. Já a asma (sibilante persistente/atópico) tende a persistir após os 3 anos, apresenta gatilhos variados (não apenas vírus), e está fortemente ligada a marcadores de atopia (IgE elevada, eosinofilia) e histórico familiar positivo.

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