Espirometria na Asma: Critérios de Obstrução e Reversibilidade

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 18 anos apresenta dispneia esporádica aos esforços, associada à tosse seca e chiado no peito, principalmente pela manhã todos os dias, há 3 meses. Refere sintomas de rinite, atualmente controlados. Exame físico: Bom Estado Geral, acianótica, PA 110 x 80 mmHg, FC 80 bpm, FR 15 irpm, oximetria de pulso em ar ambiente 98%. Ausculta Pulmonar com sibilos difusos. Assinale, entre as alternativas abaixo, o laudo correto da espirometria (com prova broncodilatadora) dessa paciente, mostrada a seguir:

Alternativas

  1. A) Distúrbio Ventilatório Obstrutivo Moderado com variação do VEF1 e CVF após uso de broncodilatador.
  2. B) Distúrbio Ventilatório Restritivo Leve com variação do VEF1 e CVF após uso de broncodilatador.
  3. C) Distúrbio Ventilatório Combinado. Obstrutivo Acentuado e Restritivo Leve. Sem variação após o uso de broncodilatador.
  4. D) Distúrbio Ventilatório Restritivo Moderado. Sem variação após o uso de broncodilatador.

Pérola Clínica

VEF1/CVF < 0,75 + ↑ VEF1 (>12% e >200ml) pós-BD = Distúrbio Obstrutivo com Resposta Significativa.

Resumo-Chave

A asma brônquica manifesta-se espirometricamente como um distúrbio obstrutivo que apresenta reversibilidade significativa após o uso de broncodilatador, refletindo a natureza variável da doença.

Contexto Educacional

A espirometria é o exame fundamental para o diagnóstico e acompanhamento da asma brônquica. Ela permite quantificar a limitação ao fluxo aéreo e avaliar a resposta terapêutica. Em pacientes com sintomas típicos como dispneia, sibilos e tosse, a demonstração de um padrão obstrutivo que reverte significativamente após o uso de beta-2 agonista de curta duração confirma o diagnóstico. Além do diagnóstico inicial, a espirometria é utilizada para monitorar a função pulmonar ao longo do tempo, ajustar a medicação de controle e identificar pacientes com risco de exacerbações futuras. O laudo deve sempre integrar os valores absolutos, os percentuais do previsto e a variação pós-broncodilatador para uma interpretação clínica precisa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de reversibilidade na espirometria para asma?

A reversibilidade é considerada significativa quando ocorre um aumento no Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) de pelo menos 12% em relação ao valor pré-broncodilatador, associado a um incremento absoluto de no mínimo 200 mL. Em alguns contextos clínicos, variações na Capacidade Vital Forçada (CVF) também podem ser consideradas, mas o VEF1 é o parâmetro padrão-ouro para definir a resposta ao broncodilatador na asma. Essa mudança reflete a redução do tônus muscular liso brônquico e a desobstrução das vias aéreas característica da patologia asmática.

Como classificar a gravidade do distúrbio obstrutivo na espirometria?

A gravidade da obstrução é geralmente classificada com base no percentual do VEF1 previsto após a broncodilatação. Valores de VEF1 maiores que 70% do previsto indicam distúrbio leve; entre 60% e 69% moderado; entre 50% e 59% moderadamente grave; entre 35% e 49% grave; e menores que 35% muito grave. É fundamental correlacionar esses achados com a clínica do paciente, pois a asma é uma doença dinâmica e os parâmetros funcionais podem variar significativamente entre as crises e os períodos de controle.

O que define um distúrbio ventilatório obstrutivo?

O distúrbio ventilatório obstrutivo é definido pela redução da relação VEF1/CVF (Índice de Tiffeneau) abaixo do limite inferior da normalidade, geralmente fixado em 0,70 ou 0,75 em adultos jovens. Fisiopatologicamente, isso indica um aumento da resistência ao fluxo aéreo ou uma redução da retração elástica pulmonar. Na asma, essa obstrução é tipicamente reversível, enquanto na DPOC a reversibilidade é geralmente incompleta ou ausente, o que auxilia no diagnóstico diferencial entre as duas condições respiratórias crônicas mais comuns.

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